O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 17/11/2021
Surgidas quase 800 anos antes de Cristo, as competições esportivas exercem uma enorme influência na história da humanidade. Com o passar dos séculos, o esporte não só tem caracterizado diversos hábitos, mas como também tem sido uma ferramenta de inclusão social de indivíduos portadores de deficiência e de negros no Brasil. Entretanto, mesmo com a grande importância do esporte na vida deles, eles ainda enfrentam, respectivamente, problemas como a falta de visibilidade e de patrocínios, desafios que comprometem a eficácia das práticas esportivas para a integração social.
Nesse sentido, após a Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra começou a usar o esporte como instrumento para reabilitar e reincluir socialmente os soldados que tiveram seus corpos traumatizados durante esse período. Assim sendo, com a popularização do Paradesporto, o Brasil é, desde 1972, considerado uma potência nessa modalidade, não obstante a isso, os atletas brasileiros portadores de deficiências são muito prejudicados pela falta de visibilidade na mídia do país. Um exemplo disso é o tempo de transmissão que os Jogos Paralímpicos de 2021 usufruíram em detrimento dos Olímpicos - uma redução de 8 vezes no número de horas de competição. Dessa forma, isso resulta na maior desmotivação dessa parcela da população, a qual usufui do esporte como ferramenta de inclusão.
Ademais, o esporte também é uma eficaz ferramenta de inclusão social para pessoas negras, as quais, no entanto, ainda são prejudicadas pela falta de patrocínio no mercado. De maneira análoga, Milton Santos, importante geógrafo brasileiro, em sua obra “As Cidadanias Mutiladas’’, trabalha a ideia de que a democracia só é efetiva quando ela atinge a totalidade da população, o que expõe a fragilidade do sistema na garantia de iguais oportunidades aos atletas, sem distinções raciais. Uma prova disso é o atleta Ângelo Dias - considerado o melhor ginasta negro do país - que, desde que foi alvo de descriminação racial em 2016, não consegue patrocínio para se dedicar à sua modalidade.
Portanto, visto que o esporte, para ser uma ferramenta de inclusão social efetiva, deve garantir oportunidades iguais à todos, medidas devem ser tomadas. Sendo assim, é necessário que o Ministério da Cidadania - que desde o ano de 2018 é o maior responsável por tratar das questões desportivas do país - realize, por meio das vias públicas e digitais, campanhas de incentivo à população com o intuito de aumentar a visibilidade e ressaltar a importância do apoio ao Paradesporto. Além disso, é necessário que esse Ministério viabilize também, em parceria com o Ministério da Educação, um aumento de 5% no Bolsa Atleta - programa de auxílio do Governo - dos praticantes negros, com o objetivo de atenuar a dificuldade que eles enfrentam para conseguir patrocínios. E então, com tais medidas, será possível que o esporte seja uma ferramenta ainda mais efetiva de inclusão social no Brasil.