O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 13/11/2021

A canção “É uma partida de futebol”, da prestigiada banda Skank, se constitui em um hino de reverência ao futebol, esporte que se tornou uma das marcas culturais do Brasil. Apesar disso, tanto essa modalidade esportiva, quanto inúmeras outras, têm tido seu potencial como instrumento de inclusão social subutilizado. Tal situação decorre da visão reducionista sobre as potencialidades dessa atividade, bem como a exigência de sua mercantilização pelo sistema capitalista. Diante disso, urge discutir as nuances desse problema, a fim de atenuá-lo.

Importa destacar, a princípio, a ótica limitada sobre os frutos decorrentes da prática esportiva como agente mantenedor da persistência da problemática. Sob essa perspectiva, é justo citar o raciocínio contido na Alegoria da Caverna, do filósofo grego Platão, uma vez que, assim como os prisioneiros não conseguiam perceber a vida além das sombras projetadas na caverna, parte significativa da sociedade reduz o esporte ao seu caráter competitivo, não enxergando outras faces dessa atividade. Nesse sentido, aspectos presentes no esporte como a convivência entre diferentes, o respeito, a cooperação e acolhimento, fundamentais para inclusão social, são, lamentavelmente, relegados do que deve ser sua função primordial.

Ademais, ressalta-se a mercantilização do esporte como um contribuinte contumaz para o agravamento desse impasse. Diante desse aspecto, é relevante apontar o pensamento do sociólogo alemão Karl Marx, no qual verifica como forma de atuação do capitalismo a busca de transformar tudo em mercadoria. Nessa ótica, percebe-se como o esporte ganhou, cada vez mais, um aspecto mercadológico, com o envolvimento de grandes marcas patrocinadoras e realização de megaeventos – a exemplo das Olimpíadas e Copa do Mundo de Futebol, com modernas e sofisticadas arenas esportivas. Esse suntuoso contexto, centraliza a destinação de recursos para superatletas em detrimento de necessárias ações voltadas para o fomento do desporto como agente integrador e promotor de inclusão social, por não ser gerador de lucro.

Em face dessa problemática, fazem-se imperiosas, portanto, diligências para promover o esporte como instrumento de inclusão social. Convêm que o Parlamento Federal – responsável pela elaboração das leis nacionais – crie uma legislação voltada para a captação de recursos atrelados aos grandes eventos esportivos, com vista a fomentar projetos desportivos comunitários que promovam inclusão social, por meio da integração dos mais diversos públicos, como pessoas com deficiências e idosos. Assim, espera-se contribuir para uma sociedade mais inclusiva, de modo a representar um verdadeiro “gol de placa”.