O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 13/11/2021

Rayssa Leal de apenas 13 anos de idade se tornou a medalhista mais jovem da história do Brasil em Jogos Olímpicos. A menina consta que viu no skate uma possibilidade de alcançar seus sonhos, resultando em uma grande participação na sociedade e ajudando seu crescimento pessoal. Nesse sentido, a narrativa nos mostra um grande exemplo de inclusão social e realização através do esporte, porém, essa realidade ainda não é vivida por muitos. Portanto, é indispensável analisar as causas que agravam esse quadro: a falta de apoio familiar e a falta de amparo governamental.

Inicialmente, é necessário portuar a forma que a família costuma lidar mediante ao esporte como ferramenta de inclusão social. Nesse viés, é justo relembrar Ítalo Ferreira, medalhista de ouro do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio, que só aprendeu a surfar por meio de uma tampa de isopor, que seu pai pescador o emprestava para surfar. Paralelamente, a família como base educional com o poder de instruir e apoiar o indivíduo desde os primeiros anos de vida, acaba não dando crédito por vivenciar um estereótipo de que o esporte não dá “futuro” ou abre portas para um lugar na sociedade, perdendo a oportunidade de ver a integração social de seus filhos através do esporte, como o pai de Ítalo. Assim, o estigma associado ao esporte como ferramenta de inclusão social favorece a falta de apoio familiar.

Outrossim, convém ressaltar que a assistência aos desamparados e o acesso ao esporte é um direito assegurado a todos os cidadãos brasileiros. Nesse panorama, Gilberto Dimenstein, em seu livro “O Cidadão de Papel”, disserta acerca da inefetividade dos direitos constitucionais, visto que não são garantidos na prática. Dessa forma, depreende-se que os tratamentos precários do Estado dificultam o acesso ao esporte, e como consequência, a oportunidade de utilizá-lo como ferramenta de inclusão social no Brasil, desse modo, ferindo os direitos de uma parcela da população que necessita usufruir do amplo ingresso ao esporte. Logo, fica nítido que a negligência do Estado dificulta o acesso ao benifício de utilizar o esporte como meio de inclusão social.

Destarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Isto posto, cabe ao Ministério da Cidadania, órgão responsável pelas políticas de desenvolvimento social e esporte do governo federal, tomar providências promovendo informações seguras a respeito da importância do esporte, por meio de aulas interdisciplinares sobre como utilizar as ferramentas do esporte na inclusão social, além de realizar campanhas midiáticas nas redes socias, visando primordialmente chamar a atenção dos pais para o incentivo da prática de esporte e levando conhecimento dos impactos que ele tem na vida de cada pessoa. Espera-se, com essas medidas, que o descrédito do esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil seja paulatinamente erradicado.