O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 15/11/2021

O jornalista Gilberto Dimenstein, ao produzir a obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entanto, ao observar o esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil, que é necessário na vida dos cidadãos, constata-se que esse benefício não tem sido pragmaticamente assegurado. Com efeito, é necessário enunciar a inércia governamental e a falta de informações como pilares essenciais da chaga.

Primariamente, vale ressaltar a escassez de ações governamentais como promotora do problema da integração de todos na sociedade. De acordo com Nicolau Maquiavel, no livro “O Príncipe”, para se manter no poder, os governantes devem operar em busca do bem universal. Conquanto, percebe-se que, no território nacional, há a recorrência de obstáculos, tal qual a falta de infraestrutura de áreas gratuitas destinadas à prática esportiva, os quais atrapalham o desenvolvimento da inclusão social no Brasil, já que o Estado não garante verbas decentes aos centros esportivos. Logo, discorrer criticamente acerca dessa problemática é o primeiro passo para a consolidação de um país equânime.

Ademais, é cabível pontuar que a carência de informações divulgadas por parte dos meios de comunicação social influencia na persistência do impasse. Nesse sentido, é lícito referenciar o filósofo grego Platão, que, em sua obra “A República”, narrou o intitulado “Mito da Caverna”, no qual homens, acorrentados em uma caverna, viam somente sombras na parede, acreditando, portanto, que aquilo era a realidade das coisas. Dessa forma, é notório que, em situação análoga à metáfora abordada, os brasileiros, sem acesso aos conhecimentos acerca da integração social advinda do esporte, vivem na escuridão, isto é, ignorância, gerando impotência para ajudar. Assim, medidas precisam ser tomadas com o propósito de atenuar o revés.

Por conseguinte, o debate acerca dos desafios no desenvolvimento do esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil é imprescindível para assegurar um nível de qualidade de vida satisfatório. Para tanto, é imperativo que o Ministério dos Direitos Humanos - órgão máximo regulador dos direitos no país - agregue planos de desenvolvimento de espaços públicos designados à prática de esportes às empresas do ramo, por apoio financeiro, para que os empresários entrem em contato com a problemática, de modo a garantir o lazer e a integração da população. Além disso, urge que a mídia conceda espaço para a propagação do assunto, com o objetivo de orientar seus consumidores. Feito isso, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.