O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 18/11/2021

A Constituição Federal legitima o direito ao esporte para todos os cidadãos, conferindo um valor social a essa atividade. Assim como evidenciadas na Carta Magna, as práticas esportivas têm importante papel na formação do indivíduo. O potencial do esporte como ferramenta de inclusão social não é, no entanto, aproveitado por causa da negligência governamental e da lenta mudança na mentalidade da sociedade de reconhecê-lo como esse instrumento.

Em primeiro plano, a falta de investimento do Estado em políticas públicas que permitam o acesso às práticas esportivas a toda população, impossibilita a inclusão dos indivíduos por meio delas. De acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “As cidadanias mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social. Logo, nesse contexto, a democracia não está sendo, de fato, exercida, já que a maioria das cidades não possuem áreas públicas com quadras esportivas, nem medidas adaptativas para pessoas com deficiência. Dessa forma, a negligência estatal impede que essas atividades sejam um meio para a inclusão social, pois nem mesmo são promovidas para toda sociedade.

Outro ponto a ser considerado, é como a lenta mudança na mentalidade social interfere na possibilidade do esporte ser uma ferramenta para agregar as pessoas. Por banalizar essas práticas, a sociedade não incentiva e nem valoriza o esporte como um meio de unir indivíduos de diferentes etnias, gêneros, renda e nacionalidades, mas apenas leva em conta o poder de entretenimento que essas atividades trazem em épocas de Olimpíadas e Copa do Mundo. Essa realidade é mostrada no anime Haikyuu, em que adolescentes apaixonados por vôlei só são valorizados pelas outras pessoas quando começam a vencer campeonatos que repercutem nacionalmente. Dessa maneira, a mentalidade social referida, apesar de, lentamente, passar por mudanças, ainda representa um empecilho para que o esporte possa promover a inclusão de todos os indivíduos que formam a sociedade.

Portanto, são essenciais medidas eficazes para que o esporte possa, de fato, ser uma ferramenta de inclusão social. Para isso, compete ao governo federal, na figura do Ministério da Cidadania, investir em políticas públicas voltadas para a democratização do acesso às práticas esportivas, por meio da construção e da revitalização de quadras equipadas para a prática dos mais diversos esportes, além da adaptação desses espaços para as pessoas deficientes. Ademais, é necessário que o Ministério promova projetos nas redes sociais com o depoimento de atletas sobre os benefícios que o esporte traz para as suas vidas e para a convivência em sociedade. Assim, as atividades esportivas serão acessíveis a todos e poderão promover a inclusão social, como é garantido pela Constituição.