O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 18/11/2021

No filme “A História de Uma Lenda”, é retratada a história de um jogador afro-americano que, em uma sociedade maracada pela segregação racial, é convidado para jogar em um time de destaque. Nesse sentido, a trama explora o papel do esporte na inserção social desse jovem. Fora da ficção, entretanto, pode-se perceber que, em razão da industrialização dessa prática e da falta de incentivo escolar, tal papel enfrenta dificuldades para sua concretização. Logo, são necessárias ações estatais a fim de corroborar o esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil.

Em primeiro plano, é imperioso salientar que a prática desportiva, inicialmente voltada à ideia de  disciplina, coletividade e cidadania, está tendo seu significado reduzido a um mero instrumento -de lucro- da indústria atual. Com efeito, não há preocupação com o desenvolvimento e financiamento de jovens que ainda não possuem um alto rendimento e reconhecimento midático, por exemplo. Sob esse viés, o escritor uruguaio Eduardo Galiano afirma que o desporto, infelizmente, se industrializou, e ao se industrializar, ele perdeu a beleza do ato pelo ato, ou seja, a sua capitalização ocasionou uma busca com foco exclusivo no lucro, dificultando a inclusão social, haja vista que se o indivíduo não for excepcional, ele não produz dinheiro. Desse modo, enquanto a lógica capitalista for regra, a efetivação da função inclusiva do esporte será a exceção.

Além disso, a falta de incentivo nas escolas, por meio da presença escassa de espaços com infraestrutura -quadras e ginásios- adequada, entrava a possibibilidade de integração. De acordo com o psicólogo estadunidense Howard Gardner, em sua teoria das “Múltiplas Inteligências”, o indivíduo é divido em 7 inteligências, sendo a corporal uma delas, assim o exercício corporal tem a capacidade de valorizar aqueles indivíduos que não possuem um destaque conginitivo, por exemplo, promovendo sua inserção na coletividade. Dessa forma, percebe-se que a insuficiência de investimentos escolares, por exemplo, inviabiliza o desenvolvimento da inteligência corporal proposta por Gardner, propiciando a exclusão de crianças e jovens cujo potencial esportivo supera o técnico.

Portanto, urge que o Ministério da Cidadania, responsável pela promoção de benefícios assistenciais, invista, por meio de verbas, na realização de projetos sociais esportivos voltados aos atletas que ainda não possuem um alto rendimento, a fim de possibilitar a inclusão desses indivíduos na coletividade-maracada pela concepção industrializada do desporto. Somado a isso, compete ao Ministério da Educação o empenho na expansão de espaços com infraestrutura esportiva nas escolas, com o escopo de ocasionar o desenvolvimento da inteligência corporal. Somente assim, poder-se-á contribuir para que o drama narrado em “A História de uma Lenda” seja, em breve, não mais apenas ficção.