O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 18/11/2021

Na Idade Média, o esporte era usado como treino de guerra, com o objetivo de preparar o corpo para o combate, posteriormente, na Idade Moderna, à prática esportiva ganhou sentido ideológico, sendo manipulada pelas potências capitalistas e socialistas durante a Guerra Fria. Na contemporaneidade, os desportes perderam seu caráter meramente bélico e manipulador, tornando-se um instrumento de inclusão social, contudo, a carência de incentivo e a falta de conhecimento básico sobre os benefícios do esporte dificultam o seu uso como ferramenta de inclusão social no Brasil.

Nesse cenário, o maior entrave é a precariedade de estímulo, o que impede a população de menor renda e pessoas com deficiência de praticar as modalidades esportivas, visto que carecem de locais adequados, materiais e instrução. Outrossim, tal situação se relaciona ao contexto social defendido pelo sociólogo Émile Durkheim, de que a sociedade determina as ações do indivíduo. Um exemplo disso, é o abandono ou inexistência de áreas de lazer em regiões periféricas e a ausência de projetos que promovam o esporte nessas localidades, como se constata na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PenSE), de 2018, que revela que 68,2% dos escolares do nono ano não praticam esportes devido a ausência de incentivo, ficando de fora do processo de formação e inclusão, visto que além de incluir e formar cidadãos de bem, o esporte é uma válvula de escape para as mazelas sociais, impedindo que os jovens se voltem para a criminalidade e acolhendo os que querem se reinserir na sociedade.

Ademais, a falta de conhecimento sobre os benefícios das práticas esportivas por parte do corpo social dificulta a conscientização. Conforme José Saramago, a sociedade vive um fenômeno de cegueira moral, que consiste em ser indiferente diante de um problema social. Consoante com o pensamento do escritor português, enquanto o Ministério da Cidadania não informar sobre a importância dos desportes para toda população, parte desses indivíduos continuarão a margem da sociedade, sendo excluídos do convívio social, além de perpetuar o ciclo da pobreza, visto que a não inclusão é um dos motivos da evasão escolar, que acentua a diferença socioeconômica.

Destarte, para acabar com a exclusão, é necessário que os Ministérios da Cidadania e Educação, em parceria com empresas privadas, promovam nas escolas e bairros periféricos atividades esportivas, por meio de oficinas de educação física, no horário noturno livre para a maioria, que acolha e inclua pessoas carentes e deficientes. Em adição, o Estado, deve divulgar campanhas que estimulem às práticas esportivas.