O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 19/11/2021
Medalhista nas últimas edições dos Jogos Olímpicos, Isaquias Queiroz é um canoísta brasileiro que transformou sua realidade através de campeonatos. Neste sentido, o atleta que vem de uma família pobre do interior da Bahia e é hoje reconhecido mundialmente evidencia o quanto o esporte é uma ferramenta de inclusão social. Entretanto, a carreira do canoísta também é exemplo das dificuldades em ser envolvido nos esportes, uma vez que a precariedade dos centros de treinamento públicos brasileiros e má gestão dos órgãos que financiam os esportes fazem com que os benefícios das práticas esportivas sejam poucos.
É importante ressaltar, primeiramente, que grandes nomes do futebol brasileiro, como Neymar e Ronaldo, foram revelados em quadras precárias das comunidades mais pobres do Rio de Janeiro. Seguindo por esse pensamento e tendo por base dados disponibilizados pelo Censo Escolar de 2015, foi possível revelar que seis em cada dez escolas públicas do Brasil não tem quadras para atividades físicas. Deste modo, fica evidente a escassez e precariedade dos centros esportivos, ressaltando o descaso do Governo Federal com a gestão financeira dos esportes e a dificuldade que os mais pobres enfrentam quando querem desenvolver suas habilidades esportivas para ascender socialmente.
Atrelada a essa perspectiva, faz-se preocupante o impacto dessa segregação socioespacial, uma vez que o esporte proporciona muitos benefícios aos jovens vuneráveis. A partir de um relatório disponibilizado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) no Brasil, foi possível inferir que onde existem programas de apoio ao esporte para crianças e adolescentes há uma queda anual de 30% nos índices de criminalidade. Depreende-se então, que a falta de incentivo reduz a participação dos mais pobres nos esportes e assim, a inclusão social fica cada vez mais distante.
Observa-se, portanto, que a realidade do esporte no Brasil precisa mudar, assim, propostas são necessárias a fim de proporcionar mais oportunidades e mudanças sociais. Para que isso ocorra o Ministério da Cidadania em coparticipação com Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS), deve reorganizar os recursos financeiros voltados para o esporte e promover repasses e auxílios adequados aos esportistas, isso junto também da formulação de novos projetos urbanos com centros esportivos adequados para treinamentos. Desta maneira, haverá um fácil acesso ao esporte um maior incentivo as práticas, proporcionando a inclusão social.