O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 19/11/2021

Sob a perspectiva do filósofo Bentinho, o desenvolvimento humano só vai ser efetivado quando a sociedade civil consolidar direitos como a igualdade e a participação. A óptica do pensador, todavia, não é concretizada no cenário vigente, uma vez que ainda não se pode observar no esporte brasileiro uma inclusão social democrática, com a participação igualitária de indivíduos de todas as classes sociais. Tal panorama possui a insuficiência de investimentos governamentais no âmbito esportivo e a falta de incentivos escolares à prática, como elementos propulsores do imbróglio.

Em primeira análise, é oportuno mencionar que, consoante à teoria de Jonh Locke, os cidadãos cedem sua confiança ao Estado que, por outro lado, possui o dever de garantir direitos básicos a eles. Nesse viés, a tese defendia pelo filósofo não se aplica à hodiernidade brasileira, visto que o poder público não direciona um olhar a ações que poderiam potencializar a inclusão social através do esporte, como incentivos financeiros aos colégios públicos para a aquisição de equipamentos esportivos, contratação de profissionais de educação física e, também, patrocínio aos atletas em início de carreira. Por isso, os jovens de famílias pobres, por não possuírem renda que os permita gozar das diversas modalidades do esporte — uma vez que as mensalidades de clubes e academias demandam um alto valor aquisitivo — acabam por terem seu direito a uma possível ascensão social, através do atletismo, negada. Por isso, é crucial que a máquina pública aprimore os investimentos nesse âmbito.

Sob um segundo olhar, faz-se fundamental apontar que revés encontra motivação na insuficiência de incentivos advindo das escolas. Nesse contexto, sob a lógica do sociólogo Edgar Morim, o método pedagógico deve ser baseado na multiplicidade dos saberes, isto é, mediante a linha de pensamento do estudioso, as escolas possuem a função de auxiliar no desenvolvimento cognitivo dos alunos de forma abrangente. Entretanto, de forma contrária à tese, muitas escolas públicas sofrem com a defasagem no âmbito esportivo, o que priva os jovens de obterem contato com as diversas modalidades e com os benefícios propiciados pela prática, o que é inadmissível e evidencia a necessidade de um recurso capaz de resolver o impasse.

Em suma, atenuar os desafios que configuram a dificuldade da inclusão social através do esporte na realidade brasiliana é fundamental. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com o da Cultura, por meio do estímulo financeiro às escolas, deve criar projetos de diversas modalidades atléticas em todos os anos da educação fundamental, com o intuito de apoiar a guiar os jovens que obtiverem interesse em seguir carreira esportiva. Espera-se com essa medida, aproximar-se do pensamento do filósofo Betinho.