O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 19/11/2021
Na Grécia Antiga, a criação dos jogos olímpicos tinha por finalidade a união e a integração dos povos por meio das práticas esportivas, além do fortalecimento da saúde. Nesse contexto, na hipermodernidade brasileira, o esporte tem sido usado como ferramenta inclusiva em várias modalidades, contudo há barreiras que impedem o seu sólido funcionamento social. Sob tal ótica, a necessidade de políticas públicas efetivas, bem como preconceitos ainda preponderantes reduzem a igualdade de direitos e de garantias fundamentais da sociedade.
Em primeira análise, convém pontuar a leniência estatal no que tange a uma maior promoção de espaços públicos adequados as práticas esportivas e o baixo investimento nesse âmbito. Isso porque, as limitadas ações governamentais não têm sido efetivas na democratização do esporte, pois em áreas periféricas são poucos ou até mesmo precários os locais como quadras públicas, áreas de lazer e ginásios poliesportivos para a população, logo não há o cumprimento do contrato social – teorizado pelo filósofo iluminista Jonh Locke – à medida que o bem-estar da maioria populacional se mostra fragilizado. Logo, quando o Estado investe no esporte qualitativo e acessível está promovendo a redução das desigualdades e o aumento da saúde coletiva conforme artigo 6º da Constituição Federal.
Ademais, é válido destacar a importância do esporte como quebra de preconceitos face a exclusão social diante de pessoas com deficiências físicas. Nessa perspectiva, parte desses indivíduos enfrentam obstáculos como a falta de acessibilidade e poucos locais adequados para treinos e esportes paraolímpicos, além do que as ações desportivas contribuem com a superação de limites e dificuldades, o que converge para a socialização, integração e o bem-estar, conforme a Pirâmide de Maslow. Dessa forma, à medida que mais pessoas forem incluídas pelo esporte, a redução da violência simbólica acontecerá, pois irá reduzir o número de pessoas a margem de seus direitos, contribuindo com a equidade, conscientização da cidadania e respeito às diferenças.
Em síntese, fazem-se inadiáveis legítimas resoluções para melhorar o cenário do esporte como instrumento de inclusão. Posto isso, cabe ao Ministério da Cidadania e do Esporte, em conjunto com as Secretarias Estaduais, a criação de um plano nacional que vise aumentar o acesso ao desporte no Brasil. Tal projeto será instrumentalizado mediante apoio intersetorial, com a construção de áreas de lazer e quadras em bairros e comunidades carentes, além de fortalecer projetos esportivos já existentes. Também, é preciso intensificar as aulas de educação física no ambiente acadêmico para os alunos desde o ensino fundamental ao ensino médio com práticas que promovam a saúde. Assim, essas medidas têm por finalidade maximizar e fortalecer as práticas esportivas.