O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 28/04/2022
A Constituição de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - afirma que é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e informais, como direito de cada um. Entretanto, a falta de inclusão social por parte do Governo, mostra que os indivíduos ainda não experimentam esse direito na prática. Neste contexto, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da falta de investimentos e da elitização do esporte.
Nesse cenário, convém ressaltar que o baixo investimento em atletas de maior vulnerabilidade social é um fator determinante para a persistência do problema, visto que o esporte é capaz de promover a ascenção social. Uma evidência desse fato é o ex-jogador conhecido como Ronaldo Fenômeno, que nasceu em uma família com poucos recursos e somente com o auxílio do clube em que frequentava conseguiu ascender socialmente. Sob essa lógica, o investimento do Estado em programas como o Bolsa Atleta é essencial, tanto para garantir uma boa qualidade de vida quanto uma maior inclusão social dos atletas. Dessa maneira, sem essa ação, a resolução do problema é impedida.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da elitização do esporte. Segundo o filósofo Henri Lefebvre, a cidade deveria atender aos cidadãos, porém, ela se molda por influência do capital. Sob esse viés, eventos como Copa do Mundo e Olimpíedas ficam inacessíveis a determinados grupos sociais, por consequência, somente as classes mais altas conseguem usufruir desse direito às práticas desportivas, desincentivando a inclusão pelos altos preços. Portanto, sem os devidos investimentos é inviabilizada a inserção social dos grupos de menor capital.
Sendo assim, medidas estratégicas são necessárias para alterar estes cenários. Logo, cabe ao Estado investir em atletas, por meio do redirecionamento de verba para programas como o Bolsa Atleta, a fim de auxiliar financeiramente futuros fenômenos do esporte, como Ronaldinho. Além disso, é necessário que o acesso a ambientes esportivos, como estádios de futebol, seja acessível para pessoas de baixa renda, dessa forma, os municípios devem aplicar programas com valores reduzidos para pessoas em vulnerabilidade social. Dessa maneira, as práticas desportivas serão estimuladas pelo Estado, assim como garantido na Constituição.