O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 08/09/2022

J.K Rowling, escritora britânica, conta a história do personagem Harry Potter, que em seu primeiro ano de estudo em Hogwarts entra para o time de Quadribol – esporte do universo bruxo -, e a partir da prática expande o seu círculo social. De modo análogo à ficção, o esporte, sendo um direito constitucional, é uma ferramenta que promove a inclusão social e deve ser incentivado; todavia, parcela da sociedade brasileira não possui acesso às práticas. Com efeito, há de se combater a omissão do Estado e promover investimentos nesse segmento.

De início, enquanto houver marginalização de camadas sociais, o pleno exercício da cidadania será exceção. A esse respeito, Simone de Beauvoir – expoente filósofa – desenvolveu o conceito de Invisibilidade Social, no qual parte da população, sobretudo de baixa renda, sofre exclusão social. Diante disso, o descaso com a manutenção das áreas públicas de práticas esportivas, como quadras comunitárias, evidencia que o tecido social que não possui renda suficiente para filiar-se a um clube, é privado da prática. Logo, não é razoável a persistência desse cenário em um país que almeja tornar-se desenvolvido.

Outrossim, ser cidadão é gozar plenamente de seus direito e poder exercer seus deveres, como explica o sociólogo Thomas Marshall. Nesse sentido, para que a pessoa possa ser cidadã, seus direitos devem estar bem assegurados. Sob essa perspectiva, a falta de investimentos em recusos para promover o acesso com qualidade a meios de se praticar esportes fragiliza a completa cidadania. Portanto, é imperioso que políticas públicas sejam implementadas para mitigar a situação.

Destarte, cabe ao Poder Executivo, em todas as suas esferas, garantir os caminhos para as práticas esportivas, por meio da destinação de verbas para a reforma e construção de quadras e pistas públicas, bem como a implementação de um programa de incentivo ao esporte. Esse programa poderia se chamar “Esporte é Direito”, e promoveria aulas de diversas modalidades de modo gratuito à população, com o fito de possibilitar a inclusão social da parcela marginalizada, além de proporcionar saúde e bem-estar. Dessa forma, a realidade prevista na Carta Magna deixará de ser, em breve, uma utopia no Brasil.