O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 05/10/2022

De acordo com o conceito de “banalidade do mal”, trazido pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Na realidade brasileira, isso pode ser observado na medida em que a indiligência estatal e o silenciamento midiático configuram desafios para inclusão social por meio das práticas esportivas. Dessa maneira, faz-se imprescindível remediar esse imbróglio em prol da plena harmonia social.

Nota-se, a princípio, que existe um descaso governamental em relação a programas de esportes acessíveis para a comunidade. Nesse sentido, no seriado nacional “3%”, é retratado um futuro distópico em que o Estado só garante dignidade humana para os habitantes do Maralto, onde mora 3% da população. A ficção se aproxima da realidade, no contexto brasileiro, uma vez que os direitos previstos na Constituição de 1988 não são efetivados para todos os cidadãos na prática. Esse fato é demonstrado mediante a passividade dos aparatos legais no que tange à elaboração de projetos que possibilitem o treinamento esportivo profissional de indivíduos periféricos - impossibilitados de investir na profissão de atleta por falta de auxílio financeiro e incentivo educacional. Logo, é possível inferir que a marginalização do direito ao esporte agrava à exclusão social no Brasil.

Cabe mencionar, em segundo plano, que conforme o filósofo Pierre Bordieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. A mídia, segundo ele, é um desses instrumentos, mas em vez de promover debates acerca da negligência dos esportes, influencia o silenciamento do problema, já que não denuncia em programas e novelas - de maior audiência - como o ramo esportivo oferece, além de lazer e saúde, diversas carreiras que permitem a mobilidade social. Desse modo, depreende-se que a alienação sobre a importância social das atividades físicas acentua a desigualdade.

Portanto, cabe ao Ministério do Esporte, órgão responsável pela criação e efetivação da Política Nacional do Esporte, criar projetos que visem o apoio a atletas de baixa renda, por meio da assistência financeira adjunto ao treinamento profissional gratuito, com objetivo de facilitar a dedicação integral à carreira. Com essa medida, seria possível contrapor o elucidado por Hannah Arendt.