O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 09/11/2022
O filme “Um sonho possível” apresenta a história de Michael Oher, um jovem negro desabrigado que, devido a seu talento como jogador de futebol americano, ganha uma bolsa de estudos de uma instituição de ensino. Fora da ficção, contudo, o poder de inclusão social do esporte é pouco aproveitado no Brasil. Nesse sentido, a falta de acessibilidade e a elitização constituem facetas desse impasse.
Sob esse viés, é importante destacar, a princípio, que o parco acesso de pessoas com deficiência a essas modalidades engendra o imbróglio. Acerca disso, cumpre reportar à obra “O cidadão de papel”, de Gilberto Dimenstein, a qual aborda o contraste entre as garantias teóricas dos brasileiros e sua não efetivação na prática. Nesse contexto, tal análise aplica-se aos indivíduos com limitações físicas ou intelectuais, uma vez que, embora a Constituição lhes assegure o direito de participação nos desportos, esses são frequentemente excluídos das atividades devido ao preconceito ou à carência de equipamentos e profissionais especializados. Dessa forma, pereniza-se a marginalização desses sujeitos.
Outrossim, vale ressaltar que a segregação econômica agrava a mazela. Sob esse viés, nota-se que a inoperância estatal no tocante à provisão de equipamentos e infraestrutura esportiva para as populações de baixa renda dificulta a ascensão social de potenciais atletas. Nessa conjuntura, o conceito de “instituição zumbi”, de Zygmunt Bauman, o qual designa uma autarquia que, apesar de manter sua conformação original, abstém-se de cumprir seu papel social, aplica-se à postura omissa do Governo Federal. Dessa maneira, insta a atenuação desse quadro.
Depreende-se, portanto, que a desassistência de pessoas com necessidades especiais ou empobrecidas fomenta a problemática. Urge, então, que o Ministério da Cidadania - originado da fusão dos Ministérios do Esporte, da Cultura e do Desenvolvimento Social - promova a ampliação do fornecimento de equipamentos esportivos adaptados e da construção de quadras em instituições de ensino e espaços públicos, por intermédio da utilização de verbas federais, a fim de democratizar o acesso a essas atividades. Ademais, é mister uma parceria com o Ministério da Educação, de modo a fornecer bolsas estudantis a alunos de baixa renda que se destaquem em alguma modalidade. Dessarte, mitigar-se-á o óbice.