O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 14/04/2023
Aos 13 anos, a skatista Rayssa Leal, medalhista de prata nas olimpíadas TÓQUIO 2020, tornou-se a atleta canarinha mais jovem a ser premiada nos jogos mundiais, sendo reconhecida por suas manobras de difícil realização. Ao fazer uma análise da atual conjuntura brasileira, nota-se que a oportunidade vivenciada pela “fadinha” - como é conhecida a atleta - restringe-se a um pequeno grupo no Brasil, o que prejudica o papel do esporte enquanto ferramenta de inclusão social. Isso ocorre, seja pela disparidade econômica vigente, seja pela inobservância estatal à questão.
Nessa contexto, pontua-se a assimetria financeira como um forte influenciador do revés. Acerca disso, é oportuno rememorar o pensamento do célebre escritor Ariano Suassuna, segundo o qual defende a existência de uma injustiça secular capaz de dividir a nação brasileira em duas vertentes: a dos favorecidos e a dos despossuídos. Nesse sentido, a parcela populacional que se encontra no grupo desfavorecido não é detentora de poder aquisitivo que permita o pleno acesso à atividades esportivas, o que reforça a privação desse público acerca dos benefícios promovidos por essa prática, como a melhora da aptidão física e maiores chances de socialização. Dessa forma, são necessários meios que possibilitem o contato entre as vítimas da desigualdade secular e os mecanismos de inclusão social.
É válido discorrer, outrossim, acerca da ausência de políticas públicas eficientes como um fator coadjuvante que tonifica o problema. Nesse sentido, o Estado de Direito Democrático, motivado pelo propósito de construção de uma sociedade livre, justa e solidária - conforme preconiza a CF de 1988 - é responsável por criar estratégias para melhor promoção do esporte no país. Contudo, é mínima a atuação das autoridades quanto a disponibilização de verbas para criação de centros esportivos, sobretudo nas regiões mais carentes, as quais carecem de oportunidades para ascender crianças e jovens por meio desse ramo. Assim, enquanto não houver uma ressignificação desse árduo panorama, a inclusão social através do esporte continuará, infelizmente, distante.