O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 26/08/2023

“Se o ar não se movimenta, não tem vento, se a gente não se movimenta, não tem vida.” Nesse trecho do livro “Torto arado”, o escritor Itamar Vieira Júnior, evidencia a importância da ação humana para o alcance de uma existência plena. É possível se inspirar nesse discurso para se enfrentar a falta de percepção acerca do esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil, já que, diante deste entrave, compreender a relevância do ato de se mobilizar pode permitir um viver mais substancial.

De início, pontua-se que o Poder Público é negligente ao permitir essa falta de percepção. Isso porque há uma falha no processo de conscientização de parte da população que, por exemplo, enxerga o esporte apenas como fonte de lazer, o que prejudica o potencial da prática esportiva de lhes trazer dignidade, sustento e ser um mecanismo de mobilidade social, tanto para atletas profissionais, quanto para amadores. Dessa forma, vê-se que o Estado não tem garantido o bem-estar de todos os cidadãos, rompendo, assim, o contrato social teorizado pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau.

Ainda, enfatiza-se que falta engajamento coletivo para se alcançar, de fato, uma sociedade que vê o esporte como ferramenta de inclusão. Como prova disso, tem-se a inércia de parte da população em não lutar por um maior investimento financeiro estatal na infraestrutura de centros de treinamento esportivo de regiões periféricas, comprometendo, assim, o acesso a prática esportiva de indivíduos que vivem em regiões afastadas. Tomando os estudos do sociólogo Zymunt Bauman para explicar esse cenário, é possível perceber que, devido ao pessimismo que atingiu as pessoas após a Segunda Guerra Mundial, quadros negativos como este passaram a ser aceitos.