O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 30/09/2023
Na obra “O Constitucionalismo Brasileiro Tardio”, Manuel Jorge destaca que a carência de cultura normativa resulta na ineficácia social dos textos constitucionais. Para o autor, embora o Brasil seja formalmente moldado pela Constituição Federal, os direitos garantidos por ela, frequentemente, não são aplicados na prática. Nessa perspectiva, essa situação se reflete na realidade, em que a inutilização do esporte com ferramenta de inclusão social age como obstáculo à efetividade dos princípios da Carta Magna. Esse problema decorre não só da negligência governamental, mas também da apatia da sociedade.
Percebe-se, inicialmente, que a frágil atuação do Poder Público possui relação com o revés. Nessa conjuntura, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve agir para concretizar as normas da sociedade em que opera. Nesse sentido, o equívoco surge ao supor que essa premissa é plenamente aplicada em todos os setores da comunidade. Tal insuficiência do sistema institucional em suprir as demandas da nação, resulta em derperdício do talento de atletas, visto que os dados da instituição Gestão Esporte apontam que os incentivos à prática esportiva são escassos, corroborando para a negação do direito constitucional ao esporte. Logo, torna-se substancial a mudança desse quadro.
Ademais, faz-se mister salientar a falta de ação social como agravante do proble- ma. Nesse viés, o filósofo Silvalino Araújo, em seu legado, ilustra a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade diante dos dilemas enfrentados pelo próximo. De maneira análoga, nota-se que a falta de investimento no esporte, para proporcionar transformações social positivas, encontra terreno fértil na estagnação social. Isso ocorre devido à sociedade não se mobilizar para erradicar essa questão; ao contrário, assume uma postura individualista. Assim, infere-se que a mudança do comportamento social é crucial para superar o paradigma.
Diante do exposto, o Governo Federal, responsável por administrar os interesses coletivos, deve elaborar polítivas públicas, por meio de planejamento colaborativo, com o objetivo de incentivar a prática esportiva, transformando-a em ferramenta de inclusão social, para que os brasileiros vejam os princípios da Carta Magna como uma realidade.