O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 05/04/2025

No livro “Coração de Atleta”, Daniel James Brown relata como jovens atletas superam desafios através do esporte, demonstrando seu potencial transformador. No Brasil, o esporte é visto como uma forma de superar a exclusão social, mas, na prática, o acesso ainda é restrito a uma parte privilegiada da população. Nesse sentido, dados do IBGE mostram que apenas 30% dos jovens de baixa renda participam de atividades esportivas, revelando a disparidade entre teoria e realidade. Isso destaca a necessidade de abordar tanto a omissão estatal quanto a desigualdade social.

Diante disso, o ex-jogador Cafu é um exemplo de como o esporte pode promover a ascensão social, superando as dificuldades de uma comunidade carente. No entanto, casos como o dele são exceções. A maioria dos jovens em situação de vulnerabilidade não alcança o mesmo sucesso devido à falta de estrutura, incentivo e políticas públicas. Segundo o Atlas da Juventude, mais de 60% dos jovens em comunidades periféricas não têm acesso a espaços esportivos adequados. Assim, ressaltando a urgência do extermínio da negligência governamental.

Ademais, Aristóteles já defendia que o corpo saudável é fundamental para a formação de um cidadão virtuoso, e essa ideia ainda é refletida em teorias educacionais modernas. Contudo, no país, o esporte escolar é muitas vezes negligenciado. Segundo o levantamento do Todos Pela Educação, apenas 18% das escolas públicas oferecem aulas de educação física de forma regular e com infraestrutura mínima, comprometendo o uso do esporte como ferramenta educacional e inclusiva. Desse modo, é preciso combater a disparidade social.

Portanto, embora o esporte tenha um enorme potencial como instrumento de inclusão social, essa função ainda é limitada por obstáculos estruturais e desigualdades históricas no Brasil. Para que o país aproveite de fato esse recurso, é necessário que o Estado (detentor de fontes para a transformação social), juntamente com o Ministério da educação, invista de maneira contínua em políticas públicas que levem o esporte às periferias, às escolas e às comunidades vulneráveis. Dessa forma, o esporte deixará de ser uma promessa distante e se tornará uma realidade transformadora para todos.