O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 04/04/2025

O conceito de “cidadanias mutiladas”, do geógrafo brasileiro Milton Santos, explicita que a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social. A partir dessa perspectiva, é possível observar que a realidade contemporânea brasileira se distancia desse ideal democrático, uma vez que muitos cidadãos, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social, não têm acesso pleno a instrumentos de inclusão, como o esporte. Nesse contexto, o esporte — que poderia funcionar como um meio de transformação social — é frequentemente negligenciado como ferramenta de inclusão. Assim, torna-se essencial analisar os principais propulsores desse cenário: o silenciamento social e a omissão governamental.

Nessa ótica, é necessário salientar que a omissão coletiva é causa evidente dessa problemática. A esse respeito, a cronista brasileira Martha Medeiros desenvolveu o conceito de “silenciamento social”, segundo o qual temas importantes são ignorados para evitar debates desconfortáveis e preservar uma falsa sensação de estabilidade. No caso do esporte, essa negligência se reflete na escassez de investimentos em projetos sociais esportivos, especialmente nas periferias, onde essas iniciativas poderiam promover cidadania, disciplina e oportunidades. Assim, a falta de diálogo sobre a importância do esporte para o desenvolvimento humano e social contribui para a perpetuação da exclusão.

É evidente, portanto, a necessidade de medidas que promovam o esporte como uma ferramenta efetiva de inclusão social. Para isso, o Ministério do Esporte — órgão responsável por formular e implementar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento esportivo — deve ampliar os investimentos em projetos esportivos comunitários, por meio de parcerias com escolas, ONGs e clubes locais. Além disso, campanhas de conscientização sobre o papel social do esporte devem ser promovidas em meios de comunicação e redes sociais. Assim, o ideal democrático proposto por Milton Santos poderá se aproximar da realidade brasileira, com mais equidade e participação cidadã.