O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 27/09/2021

Um dos temas abordados pela obra cinematográfica “Bohemian Rhapsody”, é o processo infeccioso do vírus HIV que afetou e levou a morte, no século XX, o músico britânico Freddie Mercury, dado que na época não havia tratamento para essa patologia. Nesse sentido, décadas após o óbito do artista, surgiu avanços no tratamento da enfermidade, mas o que não mudou foi a forma na qual os portadores dessa são recebidos pela sociedade brasileira, porque continuam estigmatizados. Assim destaca-se tanto a homofobia, quanto a falta de conhecimento dos sujeitos sobre a infecção, como fatores que geram marcas sociais relacionadas a AIDS no Brasil.

Nessa perspectiva, o sociólogo Brasileiro Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra “Raizes do Brasil”, descreve que existem diversas formas de preconceito fixadas na sociedade brasileira. Sob tal óptica, uma das discriminações existentes no país é a homofobia, visto que existe um padrão familiar patriarcalista no cenário nacional, o qual condena relações homoafetivas. Desse modo, esse preconceito colaborou com a marcação social de que o HIV só afeta gays, posto que no início da pandemia de AIDS, no século passado, a maioria dos portadores eram homossexuais, segundo o médico brasileiro Drauzio Varella.

Ademais, a série “Sex Education”, da plataforma de streaming Netflix, foi desenvolvida com o intuito de conscientizar os cidadãos de diversos países sobre questões sexuais, as quais variam desde o uso de preservativos a ISTs. No entanto, no cenário brasileiro não há uma educação sexual consolidada no ensino nacional, pois há tabus relacionados ao sexo no Brasil, o que colabora com a falta de conhecimento da população a respeito da AIDS. Dessa forma, esses fatores fomentam o estigma da exclusão social dos cidadãos soropositivos, já que muitos indivíduos, por não terem conhecimento do HIV, e de que pessoas com esse vírus podem ter uma vida normal, preferem ignorar os portadores da doença ao invés de incluí-los socialmente.

Portanto, a fim de combater os estigmas associados ao HIV no Brasil, deve o Ministério da Educação, a partir de normas, no ensino brasileiro, instaurar a educação sexual, a qual conscientize os brasileiros a respeito de diversos assuntos, por exemplo identidade de gênero e sexo. Além do mais, deve a Secretaria Especial de Comunicação Social, por meio de publicidades, em meio digital e analógico, divulgar informações sobre a AIDS, e demonstrar que os indivíduos portadores do vírus não devem ser excluídos da sociedade. Logo, os indivíduos terão maior conhecimento sobre a síndrome da imunodeficiência adquirida, e serão incentivados a aceitarem portadores da patologia, o que reduzirá os estigmas associados à doença.