O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 06/10/2021

A série “Pose” retrata um núcleo LGBTQ+ em plena década de 1980, quando o vírus HIV havia acabado de ser descoberto, e mostra o extremo preconceito sofrido pelos portadores da doença. De maneira análoga à realidade do seriado, na sociedade contemporânea brasileira, ainda que tal preconceito tenha sofrido consideráveis melhorias, as pessoas soropositivas ainda sofrem com estigmas, causados pelo desempenho opressor da mídia e pela menoridade intelectual.

Em primeiro lugar, o desempenho opressor da mídia é um fator para a manutenção dos estigmas associados à AIDs. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, o que nasceu como ferramenta democrática deve sempre seguir o seu papel, para não se tornar um mecanismo de opressão. Desse modo, a mídia, que surgiu com o objetivo democrático de levar informações verídicas à população, ao não desmistificar conceitos errôneos sobre o vírus HIV, que levam ao preconceito, e não disseminar fatos concretos, não cumpre a sua função. Dessa forma, esta se torna opressora e permite que os portadores do vírus continuem a ser oprimidos e os estigmas mantidos.

Em segundo lugar, a menoridade intelectual também é uma causa para a manutenção dos estigmas e preconceitos relacionados ao vírus HIV. De acordo com o pensador Immanuel Kant, a menoridade intelectual se pauta na incapacidade das pessoas de analisarem e assimilarem informações sozinhas, sendo o papel do sistema educacional extremamente relevante nesse fenômeno. Isso pois tal sistema, ao não investir na esfera científica e na individualidade dos alunos, não permite que, posteriormente, estes compreendam fatos que lhes são apresentados, ou seja, conquistem a autonomia intelectual. Assim, mesmo que informações verídicas cheguem a essas pessoas, elas não são assimiladas, e o discurso dominante, repleto de estigmas quanto à AIDs, é mantido e reproduzido.

Portanto, fica claro que os estigmas relacionados ao vírus HIV são conservados na sociedade brasileira graças à opressão midiática e à menoridade intelectual. Visando à diminuição destes, o Ministério da Educação deve promover uma mudança na esfera educacional. Para isso, tal Ministério deve aumentar a carga horária de aulas que promovam o pensamento crítico, como filosofia e sociologia, tornando tais matérias obrigatórias em todas as escolas desde o ensino fundamental. Além disso, o Ministério da Educação deve também promover a realização de mais trabalhos em grupos e atividades que envolvam contato entre os alunos e cooperação nas escolas, principalmente no ensino primário. Apenas assim a menoridade intelectual será combatida e a empatia será desenvolvida nos alunos, de forma que os estigmas e preconceitos sejam diminuídos futuramente e a vida dos portadores da doença seja otimizada.