O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 06/10/2021

Durante os anos 70 e 80, houve uma explosão de cantores, artistas e pessoas comuns que morreram pelo vírus da imunodeficiência adquirida, sendo a doença altamente noticiada pela mídia na época. No cenário hodierno, a aids não é tão mortal como antigamente devido a eficiência dos tratamentos e a progressiva melhora na medicina em cenário global. Já é possível viver com a doença com o devido acompanhamento profissional, no entanto ainda persiste a desinformação e a falta de acesso à educação de saúde pública para grande parte da população brasileira, o que pode influenciar na persistência de estigmas e pautas para homofobia em relação ao vírus.

Nessa perspectiva, o córtex pré-frontal do jovem não é completamente formado, portanto é mais suscetível a ser manipulado em relação a maturidade. Nessa óptica, quando não há um estudo embasado sobre o vírus HIV nas escolas brasileiras sustentado por aulas de educação sexual à crianças e adolescentes, grande parte da população amadurece o cérebro com achismos e estigmas baseados na aids. Dessa maneira, além dessa parcela de brasileiros estar suscetível tanto a contrair quanto espalhar mentiras sobre a doença, prejudicam a inserção de imunossuprimidos no contexto social. Devido a letalidade do vírus ter sido alta há algumas décadas atrás e à falta de educação adequada, soropositivos e acometidos pela doença têm sofrido diversas formas de preconceito no contexto moderno, sendo excluídos de grupos sociais, demitidos e segregados baseado em informações falsas sobre o vírus, o que pode causar sérios problemas psíquicos nesses indivíduos.

Ademais, muitas das vítimas de aids nos anos 70 e 80 foram artistas homossexuais é visto como pauta para sustentar a homofobia no Brasil atual. Dessa maneira, devido à falta informações sobre o funcionamento viral e questões sobre sexualidade, homofóbicos assumem que qualquer ser humano homossexual é acometido pelo vírus do HIV, levados por achismos e notícias falsas. Nesse cenário, é notório que o Brasil carece de “maioridade kantiana”, em que os indivíduos aprendem a pensar por si só, baseando-se em fatos e estudos científicos, não manipulados por terceiros e argumentos de ódio.

Em síntese, é preciso que o Ministério da Saúde, atrelado às instituições de ensino, providenciarem aulas de educação sexual para crianças e adolescentes, com o auxílio de palestras promovidas por profissionais de saúde e brasileiros soropositivos, com o fito de esclarecer dúvidas e extinguir estigmas e preconceitos. Ainda, é de suma importância que redes sociais, como o Instagram, use sua forte movimentação para propagar sobre a gravidade da doença tanto em heterossexuais quanto homossexuais, com o objetivo de preencher lacunas de dúvidas sobre sexualidade e o vírus da aids. Assim, o Brasil poderá ser um país educado em sua saúde pública.