O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 23/09/2021

No aclamado filme “Filadélfia” é retratada a ocasião de demissão do advogado Andrew logo após ter sido diagnosticado com o vírus do HIV. Sem justificativas plausíveis, o protagonista decide entrar com uma ação judicial contra sua antiga empresa e, no final, vence. Apesar de se tratar de um plano ficcional dos anos 1990, essa ainda é a realidade de uma gama de indivíduos no contexto nacional portadores dessa infecção, isto é, uma série de estigmas associados às suas condições. Nesse contexto, faz-se necessária uma análise acerca do papel da negligência tanto familiar quanto escolar para a propulsão dessa problemática, bem como as consequências sociais e econômicas para os soropositivos.

Em primeiro plano, é válido salientar como a omissão ora da família, ora da escola cristalizam a temática. Isso ocorre porque, ao não proporcionarem uma educação sexual básica desde a infância, uma vez que são as principais formas de socialização e internalização de conhecimento, crianças e adolescentes crescem pensando no assunto como um mero tabu e sem entendimento válido e fundamentado. Em decorrência disso, eles não possuem informação suficiente sobre a infecção: formas de prevenção, tratamentos adequados, estigmas relacionados e entre outros. Esse panorama pode ser relacionado com o preconizado pelo médico austríaco Freud, para quem os tabus - proibições de origem incerta - restringem o diálogo e impedem a construção do conhecimento. Dessa forma, quando se depararem com indivíduos soropositivos em alguma etapa da vida, os jovens carregam uma série de preconceitos sem fundamento algum, a contribuir para a marginalização desse grupo social.

Por conseguinte, são indubitáveis os desdobramentos maléficos decorrentes dessa desinformação exponencial no país. De início, é inegável uma série de constrangimentos tendo em vista a carga preconceituosa que a maioria das pessoas direcionam ao falarem com os portadores do vírus do HIV. Assim, ocasiões de humilhações públicas, por exemplo, são comumente observadas no cotidiano, prejudicando a harmonia social de todos. Além disso, casos como o do filme “Filadélfia” são, ainda, muito frequentes na realidade, a conturbar a situação financeira dos acometidos pela enfermidade - e, também, de toda a nação, haja vista que a produtividade como um todo é afetada.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas as quais reduzam ao máximo os estigmas associados aos indivíduos com o vírus do HIV. Para tanto, compete ao Ministério da Educação, em parceria com secretarias estaduais de saúde - para mapear com mais efetividade as necessidades de cada unidade federativa -, uma inclusão de um programa educacional sobre educação sexual, por intermédio de uma reestruturação na grade curricular das escolas tanto públicas quanto privadas. Dessarte, ocorridos como o de Andrew serão lembrados apenas nas obras de ficção.