O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 23/09/2021
A série “Pose” retrata os desafios da população LGBTQIA+ durante o início da epidemia da AIDS na década de 80 e 90, trazendo problemas como o aumento da homofobia agravado pelo desconhecimento da doença. Nesse âmbito, ainda que com o tempo fossem conhecidas as formas de contaminação e prevenção do HIV, tal fato não impede que, até hoje, isso seja um tabu em vários lugares, inclusive no Brasil. Dessa modo, é fundamental que o estigma sobre esse assunto seja combatido no país, esclarecendo o tema para a sociedade e desestimulando o preconceito.
Primeiramente, é inerante à natureza humana rejeitar o que é desconhecido e o que causa medo. Sob tal óptica, o sociólogo francês Émilie Durkheim relacionava o surgimento do sentimento de repulsa e afastamento do que é diferente e foge do senso comum, fenômeno denominado por ele de “coerção social”, pois se manifesta coletivamente, gerando os preconceitos. Logo, indivíduos que convivem com HIV sofrem diariamente com a falta de aceitação do seu status pela comunidade, o que acontecerá apenas se houver conscientização geral sobre essa questão.
Além disso, a associação instantânea e precipitada do vírus a um grupo restrito, como acontece com os homossexuais, ainda persiste equivocadamente. No entanto, a transmissão ocorre sexualmente por relações heterossexuais também, além do compartilhamento de seringas, transfusão sanguínea e pela via congênita da mãe para o bebê. Sendo assim, a infecção pode acontecer com qualquer pessoa e independe da sua condição social.
Portanto, tal tema deve ser debatido com o intuito de fazer a sociedade compreendê-lo, gerando aceitação e combatendo a marginalização de pessoas soropositivas. Para tanto, cabe ao MInistério da Saúde realizar uma ampla campanha publicitária que mostre relatos de indivíduos de diferentes faixas etárias, gêneros, orientações sexuais e classes sociais que vivem com o HIV e como é possível ter uma vida normal tendo o vírus com o tratamento adequado para, assim, retirar do imaginário popular os estigmas indevidos sobre tal questão. Por fim, os professores de biologia do ensino básico brasileiro devem educar seus alunos acerca das Infecções Sexualmente Transmissíveis, IST’s, e, aliado a isso, os tutores de sociologia devem abordar os malefícios do preconceito para a população, tornando jovens mais conscientes e, consequentemente, uma geração mais compreensiva.