O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 23/09/2021
Em um dos episódios da série Grey’s Anatomy, são retratadas as vidas de um casal de jovens, com AIDS e que vão até o hospital para interromper a gravidez, com o propósito de que o seu filho não nasça com a doença. Ao longo da trama, a narrativa revela que a gravidez não foi interrompida e que não ouve contaminação para o seu filho após o nascimento. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada na série pode ser relacionada àquela do século XXI, visto que tanto a falta de informação, e quanto ao preconceito enraizado, são fatores que corroboram e persistem para tal cenário.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que de acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), no Brasil, cerca de 20 mil pessoas são contaminadas com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) por ano. Nesse sentido, tal doença consequente, caracterizada como AIDS, tem-se como principal desafio a desinformação, com crenças de que sua transmissão seja pelo contato físico, pelo ar ou saliva, fazendo com que sejam intensificadas questões como exclusão social e isolamento. Sendo assim, além da falta de informação referente ao contagio, tem-se problemas também quanto ao tratamento, em virtude do estigma associado de que o portador da doença vive-se de maneira degradante, fazendo-o desistir.
Em segundo lugar, assim como supracitado, na série, o casal deseja a interrupção da gravidez devido ao sofrimento com que perpassam comumente. Dessa maneira, seja pelo fato de ainda não ser comprovada uma cura referente à doença, ou porque tal transmissão se remete normalmente de forma sexual e é indetectável, o preconceito e a descriminação se fazem de forma significativa. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, figura-se como uma violação do contrato social, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos, como é o caso da isonomia social.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o empasse. Logo, cabe ao Governo Federal, com o apoio da mídia, na criação de campanhas e palestras informacionais desde as escolas e ambientes de trabalhos, até a internet e televisão. Dessa maneira, é importante que profissionais da área sejam contratados para presidir tais palestras com dados a respeito da transmissão e tratamento da doença, assim como a desmistificação de inverdades que as norteiam. Neste viés, fará com que sejam beneficiados todos os indivíduos com as informações dadas, assim como diminuirá o preconceito e descriminação.