O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 15/11/2021

Na série norte-americana “Elite”, a personagem principal é portadora do vírus HIV. O receio de sofrer preconceito faz com que a protagonista esconda o diagnóstico e negligencie o tratamento da patologia, dificultando a qualidade de vida da adolescente. Ao assimilar esse panorama, vê o retrato da sociedade brasileira, haja vista a continuidade do estigma em relação às infecções sexualmente transmissíveis dificultar os cuidados com a saúde dos indivíduos. Dessarte, para atenuar esse impasse, é necessário avaliar as raízes desse preconceito e a relevância da assiduidade estatal nesse âmbito.

É vultoso destacar, de início, a discriminação como resquício da formação histórica do país. Acerca disso, o teórico Sigmund Freud - em seu livro “Totem e Tabu” - identificou a existência de proibições coercitivas no tecido social, as quais têm origem fundamentalista e religiosa, que restringem a liberdade individual e comprometem a harmonia no corpo civil. Nesse sentido, é evidente, no Brasil, um grande tabu relacionado ao sexo, fato que reflete diretamente no silenciamento desse assunto entre uma parte significativa da população e, consequentemente, na disseminação de concepções errôneas acerca dos sujeitos soropositivos, tendo em vista a pouca educação sexual recebida pelas pessoas. Logo, percebe-se os prejuízos das falhas educacionais sobre essa temática, contribuindo com o isolacionismo sofrido pelos portadores do vírus e retardando o diagnóstico e tratamento da doença.

Outrossim, é fundamental uma atuação governamental efetiva para mitigar esse problema. Sob esse viés, o artigo 196 da Constituição Federal de 1988 versa sobre a saúde ser um direito de todos e dever do Estado. No entanto, a realização esporádica de campanhas informativas de prevenção e sensibilização, concentradas em períodos como o carnaval, contribuem com o descaso dos indivíduos em relação a conscientização sobre IST’s, o que torna a discussão sobre esse assunto insuficiente e pouco eficaz, aumentando a vulnerabilidade às patologias e o preconceito gerado pela irrisória informação. Assim, urgem medidas estatais visando a quebra desse paradigma.

Fica clara, portando, a estigmatização relacionada ao vírus HIV no Brasil. Dessa forma, cabe às escolas, agentes formadores de valores éticos e morais, fomentar a educação sexual. Para isso, precisam desenvolver projetos de ensino, direcionados aos alunos do ensino médio e sociedade civil, que abarquem os cuidados necessários durante a atividade sexual, bem como as IST’s e as suas respectivas implicações, com o intuito de elucidar os indivíduos e quebrar preconceitos. Paralelamente, o Ministério da Saúde deve veicular campanhas informativas sobre esse tema de forma recorrente, a fim de alcançar e sensibilizar efetivamente um maior público durante o ano todo. Por fim, tornar-se-á possível atenuar os obstáculos enfrentados pelos soropositivos, distante do cenário retratado na série.