O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 23/09/2021
No filme brasileiro “O Tempo não Para”, o personagem principal, Cazuza, sofre com a uma doença de Imunodeficiência adquirida - AIDS, motivo pelo qual sofreu muitos preconceitos. Em consonância com a realidade de Cazuza, está a de muitos cidadãos, já que o estigma associado AIDS na sociedade brasileira ainda configura um desafio a ser sanado. Isso ocorre, seja pela negligência governamental nesse âmbito, seja pela discriminação dessa classe por parcela da população verde-amarela. Dessa maneira, é imperioso que essa chaga social seja resolvida, a fim de que o longa brasileiro sirva de ajuda aos portadores da doença.
Nessa perspectiva, acerca da lógica referente a AIDS no espectro brasileiro, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à omissão estatal nesse caso. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, os tratamentos oferecidos as pessoas com essa patologia são insuficientes e elas ainda têm que lidar com o preconceito que isola levando muitos a desistirem e, diante desse cenário, os tratamentos, quando oferecidos, não são, na maioria das vezes, eficazes. Essa inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, mas que não cumprem seu papel com eficácia. Desse modo, é imprescindível que, para a completa refutação da teoria do polonês, essa problemática seja revertida.
Paralelamente ao descaso das esferas governamentais nessa questão, é fundamental o debate acerca da aversão dos civís ao grupo em pauta, uma vez que ambos representam impasses para a completa socialização dos portadores de HIV. Esse preconceito se dá pela falta de informações sobre a doença que estigmatiza seus portadores. Entretanto, essas concepções segregam os indivíduos e sua estabilidade emocional. Tal conjuntura segregacionista contraria o princípio do “Espaço Público”, da filósofa Hannah Arendt, que defende a total inclusão dos oprimidos — aqueles que possuem algum tipo de doença, nesse caso — na teia social. Dessa maneira, essa celeuma urge ser solucionada, para que o princípio da alemã se torne verdadeiro no país tupiniquim.
Portanto, são essenciais medidas para a reversão do estigma associado ao HIV na sociedade brasileira. Para isso, compete ao Ministério da Saúde investir na nos tratamentos a essas doenças nos centros públicos especializados, destinando mais medicamentos e contratando, mais profissionais da área, como pscólogos e enfermeiros. Isso deve ser feito por meio de recursos liberados pelo Tribunal de Contas da União, com o fito de potencializar o atendimento eficaz a esses pacientes. Ademais, palestras devem ser realizadas em espaços públicos sobre a doença e importância do acolhimento das pessoas com HIV. Assim, a situação que viveu Cazuza, não mais representará a dos brasileiros.