O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 23/09/2021
De acordo com o frade São Tomás de Aquino, “Todos os indivíduos de uma mesma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres”. Sob esse viés, é crucial salientar que há direitos que não são repassados de forma adequada, principalmente, para o corpo social que sofre restrição por possuir infecção. Nesse sentido, ao observar esse impasse, sabe-se que ele está vinculado ao silenciamento e à falta de investimento. Assim, hão de ser analisados tais fatores para que se possa liquidá-los de modo eficaz.
Em primeiro plano, é imperioso destacar as causas desta problemática. Nessa perspectiva, conforme o filósofo Pierre Bourdieu, - “Alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas” –, ou seja, há a ausência de diálogos em meio social sobre a importância de aceitação ao vírus HIV. Além disso, a sociedade exclui o cidadão soropositivo por preconceito, criando, assim, um obstáculo no qual limita indivíduos infectados de permanecer ou obter um ofício que tenha apreço, mesmo exercendo um bom profissionalismo, o que consolida um tabu para a sociedade. Desse modo, são necessárias ações para mitigar a vigência dessa atividade.
Ademais, é visível à falta de investimento como impulsionadora da adversidade no Brasil. Nesse cenário, segundo a Fundação Getúlio Vargas – a taxa de investimento no Brasil, somando setores públicos e privados, está em seu menor nível nos últimos 50 anos –, ou seja, a precariedade de investimento em saúde pública é exorbitante, o que faz com que indivíduos se neguem a realizar testes, consequentemente, não realizam o tratamento. Bem como, a ausência de investimento em saúde sexual nas instituições de ensino e à má distribuição de preservativos ocasionam novos soropositivos, pois os adolescentes com vida sexual ativa não possuem uma orientação sexual aproriada. Logo, é necessário que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos – responsável por preservar o direito do cidadão – e o Ministério da Saúde – administra a saúde do brasileiro – ofereçam debates através de praças públicas e instituições de ensino para propagar o apoio a pessoas que foram infectadas pelo HIV. Outrossim, urge que invistam em teste para ser disponibilizados em escolas e unidades básicas de saúde para haver o diagnóstico precoce e, consequentemente, o tratamento, a fim de eliminar barreiras preconceituosas impostas por um corpo social opressor. Assim, consolidar-se-á uma sociedade mais justa e com direitos distribuídos de forma igualitária, como afirma São Tomás.