O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 27/09/2021
A Parada do Orgulho LGBT brasileira de 2021, que ocorreu em São Paulo, teve como tema o preconceito que as pessoas soropositivas sofrem, em especial, os homossexuais, bissexuais e transgêneros. Assim, debater os estigmas que marcam os indivíduos que são diagnosticados com a AIDS apresenta-se como uma ação de extrema importância para a elevação da consciência. Afirma-se, então, que os dois principais fatores que afetam os enfermos são a homofobia e o moralismo.
Primeiramente, convém citar os arquivos da associação Acervo Bi, uma coalisão online que visa espalhar informações sobre o movimento bissexual, por meio da divulgação de sua história. Em uma de suas postagens, a agregação mostra fotos de um antigo jornal brasileiro, que realizou entrevistas e publicou manchetes alarmistas sobre a bissexualidade e o HIV. Isto é, afirmava-se que pessoas soropositivas tinham tendência a se identificar com esta sexualidade e apresentavam perigo, em potencial, contra as famílias do Brasil. Portanto, pode-se afirmar que a homofobia, principalmente no que diz respeito às pessoas bissexuais, deixou chagas irreparáveis no tratamento dos enfermos, ou predispostos a manifestar a enfermidade. Em outras palavras, esse preconceito enraiza-se na mente dos cidadãos que mantêm uma vida sexual ativa, e, entre outras coisas, deixa-os desconfortáveis para buscar ajuda médica.
Além disso, é interessante mencionar o documentário “Cartas para além dos muros”, realizado pela Netflix, no qual são abordados os estigmas mais fortes relacionados aos soropositivos. Entre estes, encontra-se o da promiscuidade, que é, simultaneamente, um reflexo do moralismo que reprime a vida sexual de diversos jovens brasileiros. Ainda, cabe aludir à série, também da Netflix, “Sex Education”, que utiliza-se da ficção para mostrar como o valor exacerbado da moral prejudica os adolescentes e adultos. Isso ocorre, pois são postos em situações de ignorância e vergonha de si mesmos, até que encontrem-se incapazes de obter auxílio profissional. Por essa razão, o estigma da promiscuidade apresenta um perigo para pessoas em todo o espectro da sexualidade e, assim como a homofobia, deve ser combatido nos mais amplos âmbitos.
Em conclusão, o Ministério da Educação precisa minar a cultura de estigmatização das pessoas soropositivas. Isso pode ser feito por meio da adição de aulas de educação sexual na grade curricular, ministradas por profissionais da saúde sexual, como ginecologistas e urologistas, nas quais sejam debatidas as questões da sexualidade e do moralismo, bem como a realização do sexo seguro. O objetivo de tal medida é despertar, entre os jovens, a consciência sobre o vírus do HIV e o preconceito que cerca os contaminados por ele, como tencionou a Parada do Orgulho de 2021, em São Paulo.