O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 24/09/2021

De acordo com a Constituição Cidadã, de 1988, todas as relações humanas devem ser pautadas no respeito, ou seja, todos os cidadãos têm o direito de serem tratados com urbanidade. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que um estigma associado ao vírus HIV foi construído, na sociedade brasileira. Dessa forma, faz-se necessário analisar as verdadeiras causas acerca dessa problemática, com o fito de propor intervenções transformadoras.

Sob uma primeira abordagem, é possível observar que essa questão relaciona-se a fatores socioculturais. Isso porque, em plena idade contemporânea, o HIV ainda é um tabu, isto é, muitos indivíduos, em decorrência da falta de conhecimento ou compreensão sobre o assunto,  associam o vírus a algo vergonhoso. Em outras palavras, as pessoas não contam que são soropositivas por terem medo de sofrer discriminação de certos grupos, os quais não enxergam com naturalidade essa doença. Como consequência disso, muitos cidadãos não procuram o tratamento adequado para essa enfermidade, assim, podendo ir a óbito. Para ilustrar esse fato, pode-se citar o dado publicado pelo Jornal Nexo, o qual mostrou que, em pleno século XXI, brasileiros morrem de HIV. Diante disso, pode-se constatar que a construção do estigma relacionado aos soropositivos afeta negativamente a nação.

Outrossim, vale ressaltar que essa situação é influenciada por motivos político-estruturais. É notório que, nos últimos tempos, o Estado tentou reverter esse panorama nefasto, por meio de campanhas publicitárias superficiais. Contudo, esse esforço não foi suficiente. Isso porque o Governo Federal não promove uma conscientização geral sobre os recorrentes casos de HIV entre os brasileiros. Além disso, há uma gestão pouco comprometida com as mudanças, ou seja, são atitudes rasas. Prova da função estatal, é a tese do iluminista Jonh Locke, a qual afirma que o Estado é o órgão responsável por garantir os direitos inalienáveis da população. Dessa maneira, a inércia governamental é um empecinho para a diminuição desses casos.

Portanto, são essenciais medidas para a reversão do estigma associado ao vírus  HIV, no contexto nacional. Logo, o Estado, instância responsável por garantir a harmonia coletiva, deve, com urgência, iniciar a abordagem da importância do respeito das adversidades nos relacionamentos sociais, nas instituições escolares, por meio de debates, palestras informativas, dinâmicas educacionais, “lives” com profissionais especializados, com o objetivo de que todos possam encarar essa enfermidade como uma doença normal, a qual requer tratamento e cuidados.  Só assim, os artigos previstos na Carta Magna serão cumpridos.