O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 26/09/2021
Grande astro do cenário artístico internacional, Freddie Mercury, vocalista da banda de rock britânica Queen, supreendeu o mundo todo ao se revelar portador de AIDS dias antes de sua morte. No Brasil do século XXI, o estigma associado ao vírus HIV no país é um problema extremamente preocupante, fomentado tanto por uma falha da educação no combate ao preconceito, quanto por uma baixa ação da justiça nacional frente ao problema.
Preliminarmente, é fato que a carência de educação direcionada ao comportamento frente à diversidade é a principal vertente do problema. Isso porque, enquanto nos níveis de educação básica do Brasil, os jovens são expostos a uma gama de assuntos diferentes, exceto a temas como cidadania e respeito às diferenças, o que, por sua vez, cria uma geração de indivíduos opressores e preconceituosos para com portadores de doenças, como os aidéticos. Nesse sentido, o filósofo alemão Immanuel Kant afirma que o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Desse modo, é lamentável a atitude do governo de trabalhar somente na prevenção do HIV, e deixar de lado a cidadania e a consideração para com a parcela populacional que convive com a AIDS.
Além do mais, a insuficiente ação da justiça frente ao cenário agrava o impasse, visto que, segundo dados disponibilizados pelo site Agência Brasil, cerca de quatro em cada dez soropositivos para o HIV já sofreram discriminação ao menos uma vez na vida. Assim sendo, é nítido que a baixa mobilização do Estado no combate ao preconceito impede a solução do entrave, haja vista que o pouco engajamento dos setores policiais na luta contra o crime de intolerância é o que permite a permanência do problema na sociedade. Sob essa perspectiva, o artigo 144 da Carta Magna de 1988 afirma que a segurança é um direito de todos e um dever do governo, o que evidencia o inaceitável descaso do Poder Público frente à realidade e ao cumprimento da lei.
Diante dos problemas citados, urge que medidas sejam elaboradas a fim de atenuá-los. O governo deve, por meio do Ministério da Educação, inserir na grade comum curricular, uma disciplina que aborde temas relacionados à boa convivência em sociedade e ao respeito frente às diferenças, de modo a reduzir os casos de crimes discriminatórios e possibilitar a existência de uma sociedade mais justa. Ademais, por meio do Ministério da Justiça, o Estado deve enviar ao legislativo, em forma de projeto de lei, propostas que visem a inserção de pontos estratégicos de denúncia, administrados pela Brigada Militar, nas cidades do Brasil, com o intuito de aumentar a vista grossa sobre as ilegalidades civis, permitir melhores condições de vida aos aidéticos e promover uma nação regida pela solidariedade e livre de qualquer forma de preconceito.