O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 12/10/2021

No filme estadunidense “Preciosa”, a protagonista Clarice adquire o vírus da enfermidade AIDS por meio de abusos sexuais, sentindo-se retraída de falar às pessoas que tem a doença. Apesar de ficcional, a obra retrata a realidade dos soropositivos no Brasil, uma vez que há grande estigma acerca da patologia. Dentre os fatores para tal rejeição, evidencia-se, sobretudo, a ignorância da sociedade brasileira, que tem por consequência o abandono do tratamento da enfermidade.

Em primeira análise, destaca-se que o estigma relacionado à patologia tem raízes na desinformação populacional. De acordo com o eminente teórico alemão Immanuel Kant, o esclarecimento permite o desenvolvimento de autonomia de pensamento e de criticidade no indivíduo. Assim, a falta de conhecimento - ou seja, esclarecimento - acerca do vírus propaga inverdades e fragiliza os infectados, aumentando  a discriminação do soropositivo dentro da sociedade brasileira. Logo, é necessário que se desconstruam os tabus relacionados ao vírus do HIV.

Ademais, tem-se como efeito da problemática o abandono dos cuidados com a doença. Nota-se que o tabu sobre o tema da AIDS afeta as relações interpessoais dos aidéticos e influencia na continuação da cautela com a patologia. Um exemplo disso é que o programa das Nações Unidas de combate à AIDS não atingiu sua meta global de diminuição dos casos de HIV ativos em 2020. Visando à redução das interrupções dos tratamentos e à mitigação da marginalização dos soropositivos, demandam-se ações educativas para conscientizar os portadores da doença acerca de seu bem-estar.

É urgente, portanto, que se estabeleçam medidas para mitigar o preconceito associado ao HIV no país, seja no âmbito informacional, seja no educacional. Para isso, o Ministério da Saúde deve promover campanhas de veiculação nacional que deem visibilidade aos soropositivos e derrubem os mitos relacionados a essa enfermidade. Isso será feito por meio da contratação de profissionais da saúde para a divulgação das campanhas - como médicos, enfermeiros e psicólogos -, a fim de demonstrar apoio aos que contraíram o vírus e reduzir a exclusão relacionada a esse grupo social. Outrossim, escolas e colégios precisam, mediante as aulas de biologia, destacar a necessidade de buscar tratamento e cuidados caso haja infecção pelo vírus HIV, com o intuito de manter a qualidade de vida. Com essas medidas, diminuir-se-á a ocorrência de situações como a de Clarice Jones.