O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 27/09/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito insofismável à saúde e ao bem-estar social. Contudo, ao analisar os estigmas associados ao HIV na sociedade brasileira, ou seja, preconceito e segregação social sofrido pelos portadores do vírus, vê-se que na prática parte da população é impossibilitada de desfrutar desse direito universal na prática. Quanto às causas, pode-se apontar pelo menos dois fatores que contribuem para a eclosão desse quadro: o déficit educacional e a falta de programas sociais específicos.

De início, sabe-se que a educação é o principal fator na economia de um país, e, ocupando a décima terceira posição na economia mundial, pelo ranking do IBGE, em 2020, seria plausível afirmar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Em contrapartida, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é refletido na ignorância e preconceito com que indivíduos saudáveis lidam com pessoas soropositivo (portadores da doença). Convém, por isso, inclusive, destacar a citação do filósofo prussiano Immanuel Kant, que diz: “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Refletindo sobre esse conceito, nota-se que parte da solução para a problemátia em questão passa por melhoria do conteúdo/sistema de ensino popular.

Ademais, faz-se relevante, ainda, salientar a falta de programas sociais de assistência aos portadores do HIV como impulsionadora do problema, visto que a ausência desses dispositivos dificultam não só o tratamento patológico mas também a interação entre os mesmos, este último como forma de uni-los, promovendo assim o vínculo e o pertencimento a uma comunidade, o que tem efeito muito positivo social e psicologicamente para estimular a luta contra a doença. Bem por isso é cabível expor dados de uma pesquisa feita pela OMS, em Junho de 2021, que diz que aproximadamente 45% dos portadores de AIDS se sentem à parte da sociedade dita “normal”. Diante desse contexto, constata-se ser fundamental a criação de unidades sociais voltadas aos indivíduos soropositivo.

Logo, sendo o déficit educacional e a falta de programas sociais fatores responsáveis pela eclosão desse quadro, medidas para o contorno dessa problemática podem ser, por exemplo, a inclusão de disciplinas de ética e direitos civis na grade estudantil de educação básica e a criação de centros sociais voltados ao agrupamento de portadores do HIV, visando o tratamento coletivo físico e emocional. Tais objetivos podem ser alcançados por meio de parcerias entre os Ministérios da Educação e Saude e o Estado, que juntos devem discutir, em conferências, planos e medidas para realização das soluções aqui apresentadas. Nesse sentido, o intuito de tais ações e romper com os problemas advindos dos estigmas associados ao HIV e seus portadores.