O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 22/10/2021

O conceito de “Violência Simbólica”, proposto pelo sociólogo Pierre Bourdieu, refere-se à violência implícita que afeta os grupos marginalizados da sociedade, não sendo, necessariamente, física. Assim, analogamente ao teórico, o estigma associado ao vírus HIV pode ser considerado como essa forma de agressão, uma vez que atinge moralmente esse grupo. Destarte, é fulcral destacar que o preconceito é gerado pela desinformação e prejudica a saúde do paciente.

Em primeiro plano, é mister analisar que a falta de conhecimento sobre a evolução da medicina no tratamento é um fator determinante à discriminação. Sob essa perspectiva, a disseminação rápida da doença, nas décadas de 1980 e 1990, somada à inexistência de terapias eficazes contra a patologia, resultou no consenso de que a enfermidade era não só fatal, mas também adquirida pela irresponsabilidade pessoal.  Por conseguinte, tal cenário criou estigmas que afetaram, direta ou indiretamente, o convívio social dos infectados com a sociedade, pois aqueles eram vistos como “potenciais transmissores”  por esta. Contudo, hodiernamente, os avanços científicos permitem uma vida digna e duradoura aos pacientes, devido à presença de medicamentos que controlam a carga viral, tornando o vírus indetectável e intransmissível, contrariando o antigo argumento usado para a exclusão dos soropositivos. Dessa forma, revela-se que, enquanto o pensamento anacrônico for a regra, o respeito será a exceção.

Ademais, em segundo plano, é imperioso pontuar que o estigma intensifica os malefícios da patologia. Segundo uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o preconceito estimula a liberação de hormônios relacionados ao estresse, como o cortisol. Tal substância química tem, dentre outras funções, a de suprimir o Sistema Imune, diminuindo  a defesa corporal. Dessa maneira, os soropositivos, que já são imunodeprimidos, quando alvos de discriminação, ficam ainda mais suscetíveis a outras doenças, as quais são, para eles, potencialmente fatais, haja vista que não possuem mecanismos eficientes para combater infecções simples. Logo, evidencia-se que essas rotulações agravam os efeitos da enfermidade.

Portanto, a fim de extinguir a cultura do estigma associado ao HIV, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Cidadania, promova campanhas publicitárias que ilustrem os malefícios do preconceito para os enfermos, convidando o público a romper com as heranças discriminatórias e a apoiar os doentes.  Isso acontecerá por meio do repasse de verbas da União, com o corte de gastos supérfluos, como o auxílio terno, visando a melhoria na qualidade de vida desses indivíduos. Assim, o Brasil caminhará para eliminar a violência simbólica contra os soropositivos.