O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 24/09/2021
Entre as décadas de 80 e 90 no Brasil, o surgimento da SIDA(síndrome da imunodeficiência adquirida) tornou-se um assunto recorrente na sociedade brasileira após grande ícones da música popular como Rento Russo e Cazuza apresentarem a doença. Nessa perspectiva, desde a sua disseminação até dias hodiernos, as informações acerca da patologia ainda são repletas de falácias e preconceitos. Desse modo, é indubitável a necessidade de se inviabilizar a ignorância acerca da AIDS e se debater o porquê da invisibilidade social do grupo soropositivo diante do Estado.
Constata-se, a princípio, que a ignorância enraizada no corpo social é um dos pilares que formenta a segregação social do grupo de indivíduos portadores do vírus da AIDS. Segundo o “Mito da Caverna” do filósofo Platão, o homem estaria condicionado a ver apenas uma pequena parcela da realidade, enquanto a verdade seria um conhecimento limitado a poucos. Nesse sentido, o mesmo acontece em relação aos soropositivos no Brasil já que, invariavelmente, são alvos de preconceitos e discriminações em vista do pouco que se tem de conhecimento sobre a doença. Em suma, embora tenha tido o surgimento de medicamentos eficientes contra a doença, como o AZT que inibe a transcriptase reversa do DNA viral, ainda há na sociedade o estigma de que HIV é sentença de morte.
Ademais, a inexistência de programas de saúde pública específicos a esse grupo intensifica a sua invisibilidade social perante ao Estado brasileiro. Segundo a Constituição Federal, em seus artigos 196 ao 200, é dever da União fornecer saúde pública, gratuita e de qualidade sem qualquer distinção. Contudo, no que se refere ao grupo de portadores da AIDS a realidade é o baixo investimento tanto farmacológico quanto midiático o que torna o retorno de um surto de SIDA cada vez mais próximo, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, os casos de HIV no Brasil tendem a duplicar até 2040.
Assim, dar visibilidade aos soropositivos no Brasil é o primeiro passo no combate ao preconceito associado a doença. Portanto, é fundamental que o Poder Legislativo, por meio de um projeto de lei, estabeleça obrigatório a presença dessa temática em horários nobres de televisão, jornais, banners em redes sociais e nas principais rádios do país demonstrando a importância da prevenção e incentivando os portadores a irem realizar o tratamento que é fundamental no controle e prognóstico da doença. Ademais, a União deve, por intermédio de políticas de saúde pública, espalhar centros de combate e controle a AIDS por todo território nacional com atendimento especializado desde infectologistas, enfermeiros e psicólogos. Ambas são medidas cujo intuito é erradicar a discriminação da patologia e, ao mesmo tempo, impedir a sua disseminação como houve na década de 1980.