O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 24/09/2021

O filme “Bohemian Rhapsody” retrata a vida de Freddie Mercury, integrante da banda Queen, narrando sua história no mundo da música e detalhando, ao final, sua morte por uma doença sexual. Em um paralelo com a realidade do Brasil, é possível traçar semelhanças com o relato da película ao se constatar que muitos brasileiros também são contaminados por doenças desse tipo, como o HIV, e são julgados por elas, sofrendo com o diagnóstico em si e com os preconceitos de raiz homofóbica e conservadora associados a ele. Faz-se necessária, então, a discussão acerca dessa problemática.

É importante salientar, de início, que a condenação de doenças sexuais por um viés conservador que admite que elas são adquiridas devido à promiscuidade dos doentes e reprime o debate sobre questões sexuais dificulta o tratamento do problema, visto que pessoas contaminadas se sentem envergonhadas para procurar ajuda. Um exemplo disso pode ser verificado na série “Sex Education”, produzida pela Netflix, que apresenta experiências cotidianas relacionadas à sexualidade e dialoga sobre o

“tabu” recorrente em assuntos de cunho sexual. Isso demonstra a influência de questões morais na permanência da situação.

É fundamental destacar, ainda, que o preconceito contra LGBTQIA+ reforça a carga do estigma, uma vez que essas doenças são frequentemente associadas às relações homossexuais, descredibilizando a segurança delas e afetando, também, a parcela hétero dos infectados, que, por medo de ser taxada por algo que não é, acaba negligenciando o tratamento. Portanto, fica evidente que a homofobia é um fator decisivo na discriminação dos doentes.

Em suma, percebe-se que o estigma direcionado ao HIV deriva da base conservadora da sociedade atual. Torna-se necessário, então, a resolução dessa problemática. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde conscientizar a população objetivamente acerca do assunto, por meio de palestras desprovidas de preconceitos em relação aos doentes, para que os infectados sejam tratados de maneira justa, tendo, em consequência disso, o desenvolvimento da empatia dos indivíduos com seus iguais.