O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 16/11/2021

A série da Netflix “Elite” conta a história de adolescentes em um colégio da alta sociedade na Espanha. Na obra, Marina, uma das alunas, é diagnosticada com o vírus HIV, o que afeta não somente sua saúde física, mas também sua mentalidade e suas relações sociais. Do mesmo modo, fora da ficção, as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) são um empecilho para os jovens, já que afetam todas as áreas de sua vida. Nesse viés, a situação é agravada pelo estigma com que tais doenças são vistas pela sociedade brasileira. Tal problemática persiste devido ao sensacionalismo dos meios de comunicação em massa e à falta de informação.

Em primeiro análise, é importante destacar a forma como o assunto é tratado pela mídia. Sob essa ótica, pouco se fala sobre formas de prevenção e de tratamento ou sobre o acolhimento aos doentes. Além disso, nas poucas vezes em que o problema é abordado em matérias jornalísticas, são usadas palavras impactantes e informações falsas e pouco relevantes. Com isso, constata-se o que Guy Debord defendeu em seu livro “Sociedade do Espetáculo”. Nesse âmbito, segundo o escritor, tudo que está presente no meio coletivo é mercantilizado e envolvido por imagens. Ou seja, no caso citado, a imprensa não tem como objetivo informar a população, mas sim lucrar com a divulgação de textos e vídeos polêmicos e escândalos que causam grande impacto nos indivíduos.

Para mais, a desinformação populacional acerca da doença leva ao aumento do preconceito. Atualmente, o debate sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis é precário. Assim, tal fato, aliado ao tratamento dado pela mídia ao problema, causa a não percepção de sua grande dimensão, o julgamento dos doentes e a falta de mobiização para reverter a situação. Por conseguinte, as DSTs tornam-se cada vez mais presentes na coletividade e os soropositivos são constantemente desrespeitados e humilhados, o que fomenta sua retração e seu afastamento do ambiente social. Nesse contexto, segundo dados da Unaids, um programa das Nações Unidas, mais de 60% das pessoas com HIV já sofreram algum tipo de discriminação por sua condição, como comentários negativos.

Observa-se, portanto, que, devido ao estigma associado ao vírus HIV, são necessárias ações sociais para reverter o impasse. Destarte, é preciso que o Ministério da Educação promova a informação dos adolescentes sobre o assunto, a fim de que eles aprendam a cuidar de si mesmos e desenvolvam a empatia e o respeito pelas pessoas soropositivas. Isso deve ser feito por meio da mudança da base curricular em todas as escolas, com o acréscimo da disciplina de educação sexual, na qual os professores ensinem sobre as DSTs, além da distribuição gratuita de preservativos. Somente com essas medidas, será possível restringir a situação vivida por Marina em “Elite” apenas ao plano ficcional.