O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 24/09/2021

Da década de 1990, em um de seus episódios, a série “Emergency room” evidencia o preconceito que a doutora Jeanie Boulet sofre ao se declarar soropositiva à sua família. De maneira análoga, assim como a médica, inúmeras pessoas, todos os dias, passam pela mesma situação calamitosa — além de terem que lutar contra o HIV, ainda precisam lidar com a discriminação. Nesse sentido, em razão de uma omissão governamental e de uma educação deficitária, emerge um grave problema: o estigma associado à síndrome da imunodeficiência adquirida na sociedade brasileira.

Diante desse cenário, vale destacar que a indiferença estatal é um grave fator à problemática em questão. Sob esse ângulo, conforme o princípio da responsabilidade social, de Hans Jonas, ser ético é basear as prórpias condutas com foco no coletivo e nas outras gerações. À vista disso, ao se analisar o papel do Estado diante dos esteriótipos criados em torno do indivíduo soropositivo, percebe-se que ele não age de forma ética, uma vez que não promove, de modo eficaz, ações que mudem esse paradigma, visto que, segundo a “Agência Brasil”, cerca de 41% desse público já sofreu discriminação familiar. Logo, enquanto a irresponsabilidade do Governo se mantiver, milhares de brasileiros serão obrigados a conviver com o preconceito.

Nesse contexto, é importante salientar que a baixa qualidade da educação nacional é um grave motivo à perpetuação dos tabus no Brasil. Nesse viés, conforme o filósofo Immanuel Kant, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange aos estigmas presentes no país, nota-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, uma vez que não aborda esse conteúdo nas salas de aula, o que permite a continuação de atos discriminatórios contra portadores do HIV. Assim, um possível caminho para mudar esse ambiente tóxico é usar o raciocínio de Kant: fazer o indivíduo crescer intelectualmente a partir de um ensino de rigor.

Infere-se, portanto, que o Congresso Nacional deve criar um programa de acesso à informação, por exemplo, acerca da AIDS, por intermédio de profissionais da saúde, a fim de garantir mais conhecimento ao povo e, então, desmistificar alguns esteriótipos. Por sua vez, o Ministério da Educação — regulador das práticas educacionais do país — precisa desenvolver um projeto pedagógico, por meio da reformulação da grade escolar, na qual será adicionada uma nova matéria, que abordará sobre os principais entraves do século XXI, como os vários tipos de preconceito. Diante disso, tal ação terá a finalidade de tornar as novas gerações mais engajadas na luta por igualdade. Dessa forma, espera-se frear os estigmas associados ao vírus HIV na sociedade brasileira.