O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 28/09/2021

No auge da epidemia de HIV nos anos 80, a porcentagem de morte pela doença era muito alta, já que seu tratamento era precário. Somado a forma de contágio, via sexual, o estigma gerado pela doença era avassalador e dificultava ainda mais a vida dos soropositivos. No decorrer dos anos, a condição de tratamento e estimativa de vida do portador do vírus melhoraram muito, entretanto, a falta de informação e apoio para essas pessoas ainda é uma constante que causa muitos esteriótipos.

Primeiramente, há grande lacuna sem quesito informacional, o que pode gerar um afastamento social do portador e, por vezes, rouba dele a oportunidade de um tratamento mais tranquilo. Em uma reportagem que foi transmitida na tv chamada “Mulheres do mangue”, era contada como é a vida de mulheres que se prostituíam no mangue. No decorrer da matéria, uma das entrevistadas conta que foi paga a mais para ter relações sem proteção e acabou contraindo o HIV. Aliando a doença à vergonha da prostituição, a mulher deixou de visitar sua família e não buscou informação, nem tratamento, ficando bem doente. Fora desse caso, ainda é recorrente a fulga ou desconhecimento sobre como lidar e tratar o diagnóstico, gerando preconceitos não só da sociedade, mas do próprio indivíduo, dificultando sua adaptação à nova rotina.

Em conjunto, ocorre também a segregação social por preconceitos contra os soropositivos. A agência Brasil publicou, em 2017, dados que mostram uma realidade vergonhosa: mais de 50% dos portadores do HIV sofreram alguma discriminação, entre 20% perderam seu emprego e 17% foram excluídos das atividades sociais. Se comparado aos tenebrosos anos 80, fica claro que a fala de Einstein “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito” ainda é uma realidade, e o estigma sofrido pelos portadores do vírus ainda ocorre. Por conta disso, muitas pessoas que possuem o vírus têm medo de revelar e acabam se restringindo, aumentam a possibilidade de um quadro depressivo ou abandono do tratamento e inviabilizando uma oportunidade de um apoio.

Portanto, fica claro a importância de providências governamentais para amenização dessas estigmas e suas consequências. Como escolas aliadas às unidades de saúde da família, devem proporcionar mais programas educacionais tanto sobre relações, quanto doenças sexualmente transmissíveis e seus tratamentos para seus alunos e a comunidade ao redor, divisão a quebra do preconceito e da falta de informação. Além disso, é necessário a criação de uma comunidade governamental que proporcione aos portadores do vírus um espaço de ajuda e compartilhamento de conhecimento na busca de uma melhor adaptação e aceitação de si mesmo. Só assim, o sofrimento gerado desde os anos 80 escolares a ficar para trás e Einstein não será mais atual.