O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 28/09/2021
O livro “Você tem a vida inteira”, do escritor Lucas Rocha, debate acerca da marginalização enfrentada por jovens soropositivos, narrando os desafios para a autoaceitação e acolhimento familiar.
Analogamente, nota-se no Brasil a permanência de estigmas associados ao vírus da imunodeficiência humana (HIV), frutos de preconceitos sociais e da insipiência, responsáveis por dificultarem o combate ao patógeno e intensificarem a segregação de pessoas contaminadas.
Em primeira análise, segundo o filósofo francês Voltaire, a intolerância é edificada pela desinformação. Mediante ao elencado, como exposto no filme “Um coração normal”, que retrata os primórdios da crise do HIV, a falta de conscientização das massas a respeito da doença, leva interpretação errônea de que os portadores do vírus tendem a ter hábitos considerados “promíscuos”, como o consumo exacerbado de drogas e inúmeros parceiros sexuais, além de presumirem, equivocadamente, que sua proliferação ocorre de maneira simples, através do mínimo contato. Destarte, como evidenciado por estudos da Organização das Nações Unidas (ONU), os quais revelam que 64,1% dos indivíduos soropositivos já sofreram com manifestações discriminatórias, a carência de conhecimento acarreta, diretamente, na prevalência da rejeição e do prejulgamento na sociedade brasileira, obstando assim o enfrentamento dos efeitos virais.
Por conseguinte, conforme relatado pela escritora Valéria Polizzi, portadora do HIV, tais fatores reverberam na execução de profilaxias e no tratamento de enfermidades que afetam o sistema imunológico, uma vez que pessoas infectadas, temendo sofrerem com hostilidades e exclusões, evitam buscar assistência médica e até mesmo notificarem seus familiares, ocasionando a evolução silenciosa do vírus, que sem o devido tratamento pode levar à morte. Ademais, de acordo a UNAIDS Brasil, programa da ONU para luta contra a AIDS, por se tratarem de tabus, discursões sobre educação sexual e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), acabam sendo negligenciadas, gerando o agravamento da desinformação e o enraizamento da intolerância.
Infere-se, portanto, a necessidade do enfrentamento dos estigmas associados ao HIV. A começar pela criação de um projeto de lei na Câmera dos Deputados, voltado ao desenvolvimento de programas assistenciais, que não só promovam a integração social de portadores do vírus em diferentes âmbitos, mas também ofereçam atendimento psicológico, tendo como finalidade promover a inclusão e autoaceitação. Outrossim, a emissão de campanhas informativas sobre a prevenção ao HIV e a importância do respeito as pessoas soropositivas, gerenciadas pelo Ministério das Comunicações, voltadas a conscientização popular, visando a desconstrução de preconceitos e discriminações.