O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 27/09/2021
Em 2016, a novela “Malhação”, da emissora Globo, abordou o tema da imunodeficiência humana (HIV) através do personagem Henrique, mostrando o preconceito enfrentado por esse após a revelação de seu estado de saúde. Embora ficcional, paralelamente a realidade brasileira, assim como na trama, existem estigmas associados ao HIV em sociedade que criam barreiras a incersão dos portadores desse vírus em território nacional. Nesse contexto, torna-se preciso salientar que esse fator ocorre devido a lacunas governamentais no trabalho sobre o assunto que trazem, como consequência, a falta de discursão social.
Cabe analisar, a princípio, que um elemento que colabora a estigmatização do HIV em sociedade está centrado na ocorrência de lacunas governamentais direcionadas ao trabalho sobre o vírus. Sob esse viés, pode-se destacar que não existem projetos estatais efetivos voltados a discutir, a esclarecer e a desmistificar preceitos sociais sobre a imunideficiência no Brasil. Nessa perspectiva, tal atitude acaba por auxíliar na manutenção de preconceitos perante o HIV, visto que não ajuda na obtenção de conhecimento. Assim, indo de encontra a Carta Magna de 1988, que prega o dever do Estado na garantia de bem-estar, qualidade de vida e inclusão dos indivíduos no âmbito social, pessoas com HIV acabam sendo excluidas e segregadas, o que atenta contra seus direitos legalmente estabelecidos.
Outrossim, como consequência direta desse déficit do Estado, não acontece, no Brasil, discussões plenas perante o HIV em sociedade. Nessa ótica, tendo em vista que, de acordo com a teoria de “Fato social”, do sociólogo Durkheim, os indivíduos são moldados por influências externas adquiridas, de forma coercitiva, a partir do que é pregado socialmente, fica claro que a falta de conversação impede a realização de mudanças. Nessa linha de pensamento, isso explica-se devido a inocorrência da absorção de informações pelos indivíduos perante o tema o que cria impecilhos para a geração de mudanças no corpo social no tangente aos estigmas sobre a imunodeficiência até então existentes.
Portanto, tendo em mente o déficit governamental e a falta de diálogo em sociedade, urge que o Governo federal elabore, junto ao Ministério da Saúde, o projeto “HIV: sem preconceitos”, voltado a trabalhar os aspectos relacionados a imunodeficiência no país. Para tanto, isso pode ser realizado por meio do redirecionamento de verbas da Receita Federal para investimentos em campanhas e em palestras, divulgadas nas redes de televisão aberta, para discutir e tirar dúvidas perante o assunto. Nesse sentido, o intuito de tal ação é acabar com os estigmas associados ao HIV e gerar a inclusão de “Henriques” na sociedade.