O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 26/09/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê para todos os cidadãos o direito à saúde de maneira integral. Entretanto, na prática, essa garantia é deturpada, visto que o estigma associado as pessoas brasileiras portadoras do HIV revela ainda a necessidade de um cuidado amplo de caráter mental e físico na sociedade nacional. Desse modo, tal cenário nefasto ocorre tanto pelo preconceito sofrido por aqueles que são soropositivos, como também devido às precariedades dos serviços de apoio ao tratamento da AIDS.

Nessa lógica, observa-se, antes de tudo, que os preconceitos inseridos no corpo social, como exclusão no mercado de trabalho, inseguranças em relacionamentos afetivas inflamam cada vez mais as marcas deixadas pela problemática. De maneira análoga a ideia do filófoso francês Voltaire, “o preconceito é opinião sem conhecimento”, dessa forma,  viabiliza a reflexão da falta de informações importantes transferidas para a sociedade sobre a temática, o que, por conseguinte, corrobora com o preconceito inserido na nação. Assim, enquanto os prejulgamentos permanecerem correntes, as cicatrizes continuarão a afligir a nação.

Além disso, a falta de investimentos do Estado com a saúde garante a ineficácia no processo de tratamento aos portadores de AIDS no país. De acordo com a filósofa brasileira Djamila Ribeiro, " para pensar soluções para uma realidade, devemos tirá-la da invisibilidade". Sendo assim, destinar mais recursos para a saúde como implementação de equipes multidisciplinares com psicólogos e ter sempre disponível medicamentos são exemplos reais que trará visibilidade áqueles que estão marginalizados.

Portanto, os estigmas associados ao vírus HIV no corpo social brasileiro precisa ser mitigado. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde - responsável pela organização e elaboração de planos e políticas públicas voltada para assistência integral à saúde dos brasileiros - crie medidas para atenuar os preconceitos sofridos por indivíduos soropositivos, por meio de equipes multidiciplinares em postos de saúde básica da família, a exemplo de psicólogos e enfermeiros, a fim de que essas vítimas tenha um apoio psicológico íntegro e gratuito. Além disso, faz necessário a implementação de recursos para ampliar os métodos mais atuais de tratamentos contra a AIDS, por meio de médicos especialistas, exames e medicamentos com disponibilidade plena, com a finalidade de garantir o direito à saúde previsto na Constituição e minimizar  os problemas relacionados aos estigmas de pessoas com HIV no Brasil.