O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 04/10/2021
O personagem Justin, na série “13 Reasons Why”, é um jovem que contraiu HIV durante o período em que trabalhava com sexo e acaba falecendo devido ao avanço da doença e suas complicações neurológicas e respiratórias. Assim como o personagem, o HIV ainda atinge muitos brasileiros, principalmente os jovens, que possuem dificuldade de aceitar doença. Embora já se tenha tratamento e maior conhecimento sobre o assunto, aqueles que sofrem com o HIV também precisam lidar com o estigma provocado pela desinformação e pelo preconceito.
Durante os anos 80 e 90, o HIV vitimou milhões de pessoas, pois se tratava de uma doença nova, em que não se tinha conhecimento da sua transmissão, dos sintomas e das causas. Contudo, hoje, a situação é completamente diferente: a carga viral do HIV pode tornar-se indetectável, o que torna o vírus intransmissível, o que evita a progressão da AIDS. Porém, a maioria das pessoas não tem ciência disso e quando se depara com um indivíduo infectado pelo HIV faz com que este sinta culpa, porque o vírus está sempre associado ao descuido e à altas taxas de mortalidade. Dessa forma, além de causar trauma psíquico, também dificulta a busca do doente por tratamento, uma vez que a pessoa se sente envergonhada e desrespeitada.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o HIV é considerado uma infecção crônica manuseável, assim como a diabetes e a hipertensão. Ou seja, se as pessoas conseguem compreender e acolher diabéticos e hipertensos, é necessário fazer o mesmo com portadores do HIV. Essas também precisam de um atendimento humanizado, assim como serem ouvidas e se sentirem queridas durante todo o tratamento, que exige muito do psicológico do paciente. É extremamente importante que as pessoas infectadas consigam iniciar o tratamento quanto antes, por isso, é essencial uma boa rede de apoio, que as estimule a procurar ajuda para conseguir viver de uma forma saudável.
Portanto, para minimizar o estigma relacionado a desinformação e ao preconceito, é importante que profissionais da saúde em parceria com o Ministério da Saúde, façam campanhas mensais para conscientizar a população, principalmente os jovens, sobre a prevenção do HIV, assim como sua forma de tratamento, gratuita e garantida por lei. Assim, é possível desmistificar a ideia que a população tem sobre a doença, assim como acolher e respeitar aqueles que precisam de tratamento e cuidado.