O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 28/09/2021
De acordo com dados divulgados pelo Programa Conjunto da ONU para HIV / Aids, entre os anos de 2010 e 2018 o Brasil registrou um aumento de, aproximadamente, 20% nos casos de de infectados pelo vírus HIV. Diante disso, nota-se um aumento no número de brasileiros que precissam lidar diariamente com o estigma associado a esse vírus, fato que configura um preocupante problema no país. Tal conjuntura é intensificada pelo preconceito enraizado e pela desinformação sobre o assunto. Dessa forma, medidas são fundamentais para alterar essa realidade.
Em primeira análise, cabe pontuar que o preconceito sobre HIV contribui para a permanência do problema. Conforme o sociólogo Pierre Bourdieu, “habitus” é o conjunto de crenças e valores compartilhados na sociedade que, frequentemente, provocam uma violência simbólica, ou seja, opressão propagada por discursos naturalizados. A partir disso, observa-se essa forma de violência se propagando em especulações preconceituosas, herdadas de gerações anteriores, sobre o vírus HIV e aids. Consequentemente, soropositivos são alvo de piadas, julgamentos e, eventualmente, são excluidos de atividades do dia a dia e de amorosos.
Posteriormente, é tácito elencar que a desinformação amplia o problema. Segundo o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir a prevenção, promoção, proteção e recupração da saúde de todos os cidadãos. Todavia, essa determinação não é concreta posta em prática, uma vez que parte da população não tem acesso a informações sérias a respeito da aids. Com efeito, cresce tanto o estigma com soropositivos e aidéticos, o que obstaculiza tanto a prevenção contra o vírus - fato que aumenta o número de infectados, assim como ocorreu entre 2010 e 2018 -, quanto a promoção de tratamentos médicos eficazes. Desse modo, é imprescindível a proposição de capazes de atenuar essa situação.
Portanto, ao analisar os valores discriminatórios e o não acesso a informações, verifica-se a influência desses no entrave social, o que exige um plano de ações eficientes para amenizar o problema. Posto isso, compete ao Ministério da Saúde, promover a visibilidade e inclusão de soropositivos na sociedade, por meio de conteúdos midiaticos - como o protagonismo de personagens soropositivos em filmes e novelas, com histórias que vão além de esteriótipos -, a fim de descontruir tabus acerca do HIV e da aids. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, ampliar campanhas de prevenção, tanto em escolas, quanto em unidades básicas de saúde, e levar informações didáticas a respeito do tratamento, desmetindo informações falsas e, assim, minimizando os danos à população.