O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 27/09/2021
O primeiro caso clínico notificado cientificamente como fruto do HIV-Vírus da Imunodeficiência Adquirida- ,em 1972, marcou o início de uma epidemia global, fundamentada em preconceitos e temores populares. A rápida propagação virótica associada aos primeiros grupos infectados, homossexuais e transgêneros,perpetuou a intolerância sexual e conservadorismo histórico da sociedade brasileira.Não obstante, tais ideologias acarretaram na defasagem da circulação de informações acerca da doença e consequente aumento do número de soropositivos no Brasil.
A pejorativamente denominada “peste gay” - AIDS- foi amplamente estigmatizada pelo conservadorismo social, em vista dos preconceitos estruturais do patriarcalismo em relação à comunidade homossexual- grupo inicialmente afetado pela doença. Outrossim, o HIV tornou-se um meio de identificação sexual, ao invés de ser analisada e combatida como uma epidemia global, fator que impactou na estereotipação de indivíduos soropositivos,preconceito vivenciado pelo cantor Cazuza.
Sincronicamente aos axiomas tradicionais, baseados na intolerância e radicalismo,a negligência à informações acerca da transmissão, profilaxia e tratamento do HIV fomenta progressivamente a alienação popular acerca da necessidade da responsabilidade sexual e aumento da taxa de transmissão viral. Não obstante, tal cenário é retratado na afamada série da Netflix- “Elite”- por meio da narrativa de Marina,adolescente infectada pelo Vírus da Imunodeficiência Adquirida,devido à falta de proteção em relações sexuais com o namorado.
Em prol da desconstrução de estigmas sociais relacionados ao HIV e sua incidência é de suma necessidade que a OMS-Organização Mundial da Saúde- promova propagandas informativas acerca dos sintomas, prevenção e tratamento da AIDS e incentive sua profilaxia por meio da distribuição de preservativos pelo SUS- Sistema Único de Saúde-. Dessa forma, projeta-se a ruptura de preconceitos basais relacionados ao HIV e consequente diminuição da taxa de indivíduos soropositivos no Brasil.