O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 07/10/2021

Estigma social é definido pelo psicólogo e sociólogo canadense, Erving Goffman, como a situação do indivíduo que não está apto a aceitação social plena. Utilizando a definição de Goffman como embasamento para uma análise da sociedade brasileira, torna-se evidente o estigma social a cerca dos portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV), causado principalmente pela negligência política e social. Portanto, são necessárias medidas punitivas e educativas a fim de mudar a situação atual.

Em primeiro plano, cabe ressaltar como a omissão governamental afeta diretamente a parcela social supracitada. No filme “Clube de compras Dallas” é retratado o desespero das pessoas com a descoberta do vírus causador da AIDS, e a falta de amparo da indústria farmacéutica, a qual só visava o lucro com a situação. Relacionando ao governo atual, em 2020 o Presidente da República desmontou o programa brasileiro de referência internacional no combate ao HIV, alegando que os portadores da doença são despesas. Sendo assim, se torna claro a negligência política com o assunto.

Outrossim, a desinformação e a omissão social também contribuem para a dificuldade de rompimento dessa infâmia. No livro “Depois daquela viagem”, a personagem Valéria contrai o vírus e se vê cercada de preconceito, justificado com o fato da doença ser relacionada a um subgrupo populacional mais vunerável. Embora escrito na década de 80, a realidade vivida por Valéria ainda se configura na sociedade atual. A falta de informação sobre o tratamento, e que a pessoa tratada não transmite, somado ao medo das pessoas diagnosticadas de sofrerem discriminação e a doença ainda ser relacionada principalmente a dois grupos sociais, os homossexuais e pessoas promíscuas, dificultam o pleno exercício da cidadania na vida em sociedade.

Infere-se, portanto, que o estigma associado a essa doença está intrinsicamente ligado a negligência política e social. Com vistas a romper com essa infâmia e garantir a plena informação a cerca do assunto para a população, o Ministério da Cidadania, da Saúde e dos Direitos Humanos, em parceria com ONG’s de proteção ao exercício da cidadania e defesa dos diretos humanos, deve Elaborar campanhas informativas sobre o assunto, trabalhando tanto a prevenção da doença quanto ao tratamento, divulgadas pelos principais meios de comunicação, como exemplo do rádio, televisão e redes sociais, e em escolas nas aulas de educação sexual. Além dessa ação, é essencial políticas públicas que visem a punição de pessoas que colaboram com o preconceito, somado ao incetivo a subnotificação.