O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 01/11/2021
Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defendia a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Para o filósofo, sem a razão e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Nesse contexto, ao presenciar o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira, vê-se que o princípio aristotélico não é alcançado, na medida em que o entendimento da doença causada pelo vírus e a carência de iniciativas governamentais que cientifique a população, ainda são fatores que potencializam essa característica social e, infelizmente, dificultam a construção de um ambiente ideal.
Inicialmente, é notório que o preconceito existente ao vírus HIV está relacionado a um problema estrutural. Nesse sentido, o deconhecimento da doença, contribui para consolidação do preconceito, uma vez que, perante a sociedade, a grande maioria dos portadores do vírus HIV são relacionados, de maneira erronia, à usuários de droga ou à prostituição. Contudo, tal conjuntura, de acordo com Kant, é análoga à “menoridade intelectual”, na qual caracteriza a falta de autonomia dos indivíduos sobre seus intelectos. Nesse raciocínio, ao observar o estigma associado ao vírus HIV, percebe-se que o cidadão, incapaz de assumir uma postura crítica, torna-se refém dessa “menoridade”, uma vez que o leva a alienação de esteriótipos preconcebidos e, consequentemente, banalizando a realidade.
Ademais, é irrefutável a ineficiência do estado com iniciativas que esclareçam a patologia, visto que ela persiste no contexto atual. Conforme Zygmunt Bauman, em sua teoria “Instituições Zumbis”, as instituições sociais, como o Estado, dissolveram suas funções de controle e regimento da ordem, sendo “zumbis” pelo fato de manter-se vivos, mas sem eficácia de intervenção. É por essa razão que o estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira ainda é evidente, posto que a falta de educação eficaz quanto a transmissão do vírus, corrobora com a marginalização dos soropositivos.
Portanto, é crucial reverter o quadro atual. Sendo assim, a fim de solucionar O preconcebimento discriminatório e a alienação frente a moléstia, cabe ao ministério da educação, com suporte do ministério da saúde, inserir a discussão acerca da doença HIV nas escolas, por meio de palestras e aulas dinâmicas que expliquem a aids, assim como sua transmissão e tratamento, a fim de formar cidadãos mais tollerantes e conhecedores do vírus HIV. Dessa forma, a população será capaz de sair da “menoridade intelectual” e, felizmente, concretizar os ideias aristotélicos.