O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 04/10/2021

Para o escritor iluminista francês Voltaire, o preconceito constitui em opinião sem a construção prévia do conhecimento. Analogamente a esse pensamento, a manutenção e edificação dos estigmas associados à síndrome da imuno deficiêmcia adquirida (Aids) bases sólidas na desinformação da sociedade hodierna em relação aos soropositivos. Esse contexto se intensifica ainda mais, devido aos seguintes critérios: crescente tabu vinculados a esse tema e as limitadas políticas públicas em busca da reversão desse quadro no Brasil.

Nessa perspectiva, primeiramente, a base do tabu se dá por convenções sociais e culturais, as quais provoca, muitas vezes, o impedimento da discução e do debate sobre o tema. Em consequência disso, a desinformação a respeito do assunto se tranforma em preconeito e os estigmas associados ao grupo dessa temática impedem o usufruto pleno dos direitos constitucionais. Da mesma forma, os necessários diagnosticados com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) convivem diariamente com a usurpação das liberdades individuais de livre associação e oportunidade de trabalho. Pois, conforme pesquisa da Unaids, programa das Nações Unidas, cerca de 26% dos entrevistados já perderam alguma oferta de emprego ou já foram excluidos de atividades sociais por terem o HIV. Assim, evidencia-se os costumes discriminatórios em detrimento das regras legais atribuidas ao cidadão.

Ademais, ocorre um desleixo das lideranças político-sociais em propor medidas para, além de ampliar o sistema de saúde e incentivar o prevenção, diagnóstico e tratamento das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), desmistificar o HIV. Por essa causa, tem-se a ascenção de uma “patologia social”: o preconceito e a rotulação desse grupo, o que causa mortes indiretas, por meio do afastamento desses sujeitos aos benefícios constitucionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Assim sendo, apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a aids é classificada como uma infecção manuseável, como diabetes e hipertensão, ainda assim, a estigmatização dessa condição é nítida na sociedade brasileira. Desse modo, a marginalização dessa população é responsável pela  morte de muitos cidadãos em território nacional.

Portanto, é imprescindível à democracia o levantamento de medidas para combater o estigma associado ao vírus HIV no Brasil. Dito isso, instituições educacionais, assim como organizações não governamentais, juntamente com o Ministério da Saúde, agentes responsáveis pela construção social e pessoal, devem quebrar o tabu que envolve tal assunto, além de propagar o conhecimento sobre a saúde. Essa medida será possível mediante investimentos em educação e em palestra, tendo em vista mais que a adesão ao tratamento e diagnótico, a conscientização pela educação, segundo Voltaire.