O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira

Enviada em 02/10/2021

Durante a década de 80, em meio ao desespero causado pelo vírus HIV, o cantor brasileiro Cazuza decidiu enfrentar o preconceito e revelar publicamente seu diagnóstico da doença. Apesar do artista conseguir se libertar dos estigmas, ainda hoje diversas pessoas sofrem com eles e não têm o apoio necessário. Esses estereótipos rodeiam a sociedade principalmente por causa da falta de informação e resultam na exclusão social das vítimas.

Primeiramente, o HIV, vírus causador da AIDS, sempre foi bastante estigmatizado por causa da falta de informação da sociedade. Isso porque, com o surgimento da doença, a imprecisão das pesquisas e dados sobre ela abriram espaço para a veiculação de notícias falsas  e alarmantes. Entretanto, atualmente, a infecção já foi estudada e desvendada pelos especialistas e, mesmo assim, a população estigmatiza aqueles que possuem esse diagnóstico. Para a filósofa Márcia Tiburi, a falta de informação é a base da economia psíquica do preconceituoso, já que ele não quer investir no pensamento, para que possa manipular e descontextualizar os fenômenos e criar uma ilusão de “superioridade”. Ou seja, com o investimento na educação da população brasileira, os estigmas associados ao vírus HIV e alimentados pela ignorância podem ser rejeitados. Assim,  a população que convive com a doença pode ser aceita, não discriminada.

Outrossim, em decorrência do preconceito consolidado pela ignorância da população, as pessoas que contraíram o vírus HIV acabam sendo excluídas da sociedade brasileira. Isso acontece pois, em meio a todos os estigmas, elas se tornam párias e, muitas vezes, não conseguem se estabelecer na comunidade. De acordo com o pensador Aristóteles, o homem é, por natureza, um animal social. Isso quer dizer que o ser humano necessita da convivência na sociedade como parte crucial da sua existência. Nesse sentido, suprimir esses indivíduos por uma condição sob a qual foram submetidos, é privá-los de sua essência. Dessa forma, eles sofrem danos psicológicos além de todos os danos físicos que a doença traz. Por isso, investir no acompanhamento dessas pessoas é imprescindível.

Portanto, com o objetivo de acabar com os estigmas associados ao HIV no Brasil e minimizar seus efeitos, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com as Secretarias da Saúde, investirem na educação precoce da população em relação ao vírus, por meio da adição de programas de saúde nas instituições de ensino, para que essa geração seja mais informada e consciente. Além disso, é crucial o trabalho do Governo Federal no acompanhamento e ressocialização das pessoas portadoras do vírus, a partir da implementação de um programa social com psicólogos, psiquiatras e atividades em grupo, a fim de tratar e garantir a socialização dessa parcela da população.