O estigma associado ao vírus HIV na sociedade brasileira
Enviada em 02/10/2021
Na série “Sex Education”, há o debate da educação sexual na adolescência e de como, atualmente, é mais fácil levar uma vida saudável ao carregar doenças crônicas consigo, especialmente o HIV. Apesar dessa série ser uma obra cinematográfica, ela se distancia da realidade de uma parcela significativa de brasileiros, uma vez que estes, gradualmente, por testarem positivo para o vírus do HIV, são estigmatizados pelo tecido social. Nesse sentido, estratégias precisam ser aplicadas para alterar essa situação que tem como causas o silenciamento midiático, bem como uma falha na lacuna educacional.
A princípio, a ausência de conteúdos informativos circulando entre os indivíduos, que fomenta a censurável discriminação com pessoas que tem a AIDS residindo em seu corpo, é uma das principais responsáveis por esse cenário. Conforme decorreu no século XVIII, conhecido como século das luzes, o Iluminismo tornou-se um veículo de informações para difundir seus ideais entre a população e acarretar na queda do absolutismo. Dessa forma, é dever da mídia colaborar, divulgando conhecimentos — assim como os iluministas fizeram — acerca da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, para que a sociedade não permaneça na escuridão e os sujeitos pertencentes a ela não temerem aquilo que não conhecem. Isto posto, a proliferação de matérias voltadas para a saúde do ser humano, como a de vírus que podem atingir bruscamente a vida de alguém, em caso de uma descoberta tardia, irá evitar que os cidadãos tomem decisões equivocadas e marginalize aqueles que possuem a tal síndrome.
Outro fator a ser mencionado é a deficiência da base escolar, na qual faz-se ser um proveniente dificultador dessa objeção. Segundo os estudos da Pedagogia da Autonomia, do educador Paulo Freire, as escolas não devem estimular somente os conhecimentos técnicos científicos, mas também habilidades socioemocionais, como empatia e respeito. Desse modo, as atuais instituições de ensino brasileiro insistem em aplicar questões conteudistas, contribuindo para que as crianças cresçam apáticas e desenvolvam ainda mais o estigma associado ao vírus HIV no corpo social. Logo, enquanto essa lacuna psicossocial, idealizada por Paulo Freire, permanecer extinta da nação, a condenação populacional para com as pessoas que são soropositivas prosseguirá crescendo.
Portanto, ações são necessárias para resolver o problema discutido. Urge a ação de uma nova grade curricular, com rodas de conversas para exercícios reflexivos, colocada em prática pelos professores de sociologia, prescrita pelo MEC e com o intuito primordial de impedir que os jovens cresçam desrespeitando a vida de outro ser humano, principalmente se o motivo for por ele carregar uma doença que pode ser mortal. Espera-se que, com isso, o preconceito com todas as pessoas portadoras do HIV descreça e a série “Sex Education” seja, de fato, uma perspectiva real da nação brasileira.